Vai luzinha

Luz. Que ilumina, aquece. Ilumine-me. Ilumino-te. Iluminemo-nos. Nossas jornadas são individuais e solitárias, mas anjos sempre cruzam nosso caminho e sempre cruzaremos o caminho de outros como anjos. Dividamos nossas dores, multipliquemos nosso amor. Como num banquete comemorativo, em que todos batem palmas, ovacionando, glorificando cada integrante da ceia.

Ah, mas ainda restam resquícios de humanidade na humanidade, ainda restam resquícios da verdade em nossa confusão. Sem apelação, o saber maior de cada um vindo à tona, ensinando primeiro o dono, e depois quem dele quiser ajuda.

Luzinha, luzinha, luzinha cintilante que brinca de rodopiar pelo universo, mostra-nos como devemos seguir o caminho para continuarmos nos redescobrindo... Mostra, mostra para nosso espelho o que há por trás das máscaras que já estamos cansados de usar. Recarrega nossas energias para mais um dia. Purifica nosso coração com a leveza de uma pluma que voa lentamente em direção ao horizonte. Mostra a beleza, mostra a feiura que é bela, mostra o brilho que há em cada um, reacendendo a chama dos corações que já esfriaram. A gente pode suspeitar de quem é você, luzinha, mas nunca chegaremos a saber: você é nós, e nós somos parte de você. Duplas perfeitas, que unidas são só uma. Dá o tom de oração a todas as nossas palavras, mesmo aquelas que não merecerem. Aumenta nosso vocabulário, para que possamos discursar por aí enchendo o que atravessar o nosso caminho de luz e esperança.

Vai, luzinha, leva nossas trevas para um cantinho claro e as condensa. Leva nossas dores, e traz significado de volta. Leva nossos amores, e traz mais de volta. Luzinha minha luzinha nossa luzinha brilhando há de acender o melhor que há. E ascender é o que restará. A mim, a você, a nós.