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Um Homem um Tanto Estranho

Tínhamos acabado de chegar na rodoviária, a fila do ônibus já estava longa, aguardávamos ao sol o ônibus que parecia nunca chegar.
Resolvemos esperar próximo a pista onde fazia mais sombra, ao passe que os carros passavam muito perto, ouvi chamar-me à atenção, a voz vinha daquele sujeito, nem alto nem magro, bem arrumado, algumas falhas no cabelo, carregava um violão, me disse que era perigoso ficar ali, pois o carro quase me pegou. Argumentei que estava calor na calçada, mas resolvi seguir o conselho dele.
Chegou um ônibus, não era o nosso, alarme falso, a fila aumenta, a espera também, enfim chega o ônibus.
Ao começar a subir a serra, a Senhora do meu lado pergunta:
__ Este ônibus vai pro Ipiranga ou pra Petrópolis?
___ Não senhora, vai pra Petrópolis.
___ Bem que eu vi, que o caminho é diferente, pensei que ia pro Ipiranga?
___ A senhora tem que descer no próximo ponto porque ele já vai subir a serra.
E lá se foi ela e a companheira dela, descendo as pressas e explicando para todos os passageiros e motorista que iria para Ipiranga e errou o ônibus.
O ônibus seguiu viagem, mas não andou tanto e teve que parar novamente, a serra estava bloqueada com outro ônibus que havia dado problema, resultado, tudo parado e um calor terrível.
Algumas pessoas desceram do ônibus, enquanto aguardavam uma solução na estrada. Nesta hora o homem do começo desse relato, resolveu reclamar, procurou o motorista para tirar conclusões, explicou aos passageiros o motivo de estarmos parados.
Até que cansado de esperar ele pega o seu violão e decide tocar algo. E eu tiro meus fones de ouvido para saber de onde vem aquele som, é do banco ao meu lado, do outro lado do corredor, o vejo cantar muito empolgado, porém muito desafinado.
Segundo minha amiga, aquela empolgação toda tem outro motivo, a morena alta e bonita que estava sentada ao meu lado.
O ônibus volta a andar, mas o homem desce, cansado de esperar ele tenta negociar uma passagem de volta em outro ônibus que desça a serra.
Nosso ônibus vai embora, enquanto ele fica parado na porta do outro ônibus conversando muito e segurando seu violão.
Ao fim da viagem, comentei com minhas amigas que aquele homem não me era estranho, e pra minha surpresa uma amiga me disse que, também não o achava estranho, e que ele passava uma sessação estranha, que ele não era normal, que ele não era igual as outras pessoas.
Fiquei espantada porque tive a mesmíssima impressão, claro que era alguém de carne e osso, não algo sobrenatural, mas que a sessação foi esquisita e que aquele homem tinha algo de muito diferente das outras pessoas, isso ele tinha.
flor de inverno
Enviado por flor de inverno em 25/01/2018
Reeditado em 06/06/2020
Código do texto: T6235606
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
flor de inverno
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 29 anos
187 textos (3516 leituras)
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flor de inverno