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NO CAVEIRÃO, NÃO SEREI GANDULA!

Fico a pensar no meu trabalho voluntário desta manhã... De onde aguardava os Atletas para medir a pressão arterial, podia-se contar mais dois campos de futebol de terra, em plena atividade esportiva. Populares que disputavam alguma sombra de árvores, outros sob o rigor da canícula, e todos a uma a elogiarem os árbitros da partida,  não poupando, também, jogadores e seus respectivos técnicos.

Logo de início, um ritual religioso de que participo. Todos num círculo rezam, alto, gritando, como a desafiar a todos os azares que pudessem interferir naquela partida: “agora e na hora da nossa morte!” Que não morressem de ataques cardíacos como aconteceu a alguns, já profissionais, nos campos do Brasil e alhures! Mas se... "Pai nosso que estás nos céus... e que também está por ali levando terra nos olhos que tudo vêem! Durante a partida entre o Boa Sorte da Região Canela de Ema e o R-13  de Sobradinho II, muito palavrão, palavrórios, xingatórios, e muita poeira!

Ao término, a sessão de medida da pressão arterial de todos os jogadores e até de torcedores, alguns atletas com ela irregular! Recomendo menor ingestão de sal, um acompanhamento médico.

Conheci, por ali, o menino Natanael, de 17 anos, que fez alguns testes nos times de futebol de São Paulo. Magrelo, precisa continuar os exercícios na Academia que o patrocina, e de uma alimentação balanceada. Espera um contrato, talvez, até no exterior! Desses campos de terra da categoria  amadora, e mesmo dos “peladeiros” surgem, constantemente, grandes craques. Pelé, Ronaldos e outros, que o atestem!

Na minha volta para casa passamos por um campo do outro lado da cidade, cujo nome não procurei saber. Talvez se chame Poeirão, adivinhem o porquê. Ali jogava o Vila Verde, e nem precisa perguntar a cor do uniforme. O outro time, o Barcelona, claro que é o daqui mesmo!

Na próxima vez, iremos ao Caveirão, campo que, também, fica do outro lado. O nome não poderia ser mais apropriado. Fica bem juntinho do cemitério! Bolas que caiam dentro da necrópole jazem, ali, para sempre, sem um gandula que a possa resgatar. Mas que de vez em quando, comenta alguém, a pelota é devolvida sem que ninguém saiba quem o fez! Um outro afirma que passando pelo local, pouco depois da meia noite, ouvia todos os sons de uma fantasmagórica partida de futebol! É que por perto estão guardados os restos mortais de inúmeros atletas e de torcedores desta região, e que de vez em quando voltariam à ativa! O local é tétrico! Fico arrepiado! Assistir a partidas, ali, à noite, nem pensar!

Nota: Time "Peladeiro" - É aquele de garotos ou amadores, atuando em campo improvisado, onde se sorteia um deles, para jogar sem camisa, pelado, da cintura para cima.

Sobradinho-DF,           26/08/07
abello
Enviado por abello em 28/08/2007
Reeditado em 11/10/2007
Código do texto: T628318
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
abello
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 75 anos
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