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Fechou o maleiro, afastou o forro da cama e se deitou. Pensou no sol se pondo atrás das asas de uma gaivota, no voo rasante de uma  águia. E... permitiu que sua mente abrisse as portas para a grande aventura de viajar na imaginação. Estendeu a mão para alcançar as engrenagens do relógio, adiantou  o tempo em  cinco anos e  situou o calendário em 1999, quando teria 20 anos  completos. Em seguida, retrocedeu o tempo para reviver a conversa que tivera com o pai, quando ela fizera quinze anos: Devemos ler  muitos livros para escrever um.  Não vês Machado? Era um homem sábio, adquiriu conhecimento de mundo, buscando o saber na leitura e na meditação, ou aprendeu com Marília de Dirceu?  Nunca se sabe!...

O próprio Jeremias fazia voos literários  e vestia sua filha com vestes que não cabiam nele: Literatura não dá pão para quem não cuida bem do trigal. Coragem!... Não tenha medo de inovar, muitos construíram grandes obras, porque não temiam dar asas a seus sonhos. Voe sem medo do paredão do mundo! Voe,  e logo verás, no enfrentar de teus medos, que eles derreterão como cera. Creia, não haverá nova aurora, novo sol,  e novo dia,  se não houver um homem novo a sonhar com novo céu e nova terra.  Somos o geógrafo de Exupéry: cercamo-nos e vivemos no mundo que criamos em torno de nós mesmos. O pessimista, por exemplo,  carrega o pesado fardo de seus medos, e se torna porta-voz de más notícias; os valentes, porém, enxergam a vitória, mesmo antes de darem início à luta.  És ainda muito jovem! Nesse frescor da idade, a imaginação voa tanto!... Simplesmente, voa. Toma, pois, caneta e papel e descreve o voo de uma águia ou despertar de uma gaivota. As biografias não mentem, muita gente famosa fez literatura antes dos quinze. Tens  o exemplo de Coralina que  aos quatorze anos publicou “Tragédia na Roça”. Ganhou o carinho do público, e alguns vinténs de cobre fazendo doces.

O homem tem dentro de si uma  gaivota buscando romper os limites de sua espécie, ou uma águia que se renova, afiando as garras, arrancando as penas e fortalecendo as asas para alçar novos  voos. Com uma pedrinha apanhada   no alforje, o menino Davi lançou por terra a ira do gigante Golias. Tudo depende da visão que temos de mundo: uma catedral pode parecer um monte de pedras; e  uma serpente, inofensiva minhoca. Livro é uma pedra. Tosca  ou polida, é uma pedra em movimento. 

***
Adalberto Lima, trecho de Estrela que o vento soprou.
Adalberto Lima
Enviado por Adalberto Lima em 16/04/2018
Reeditado em 16/04/2018
Código do texto: T6310617
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Adalberto Lima
Montes Claros - Minas Gerais - Brasil, 66 anos
3515 textos (409305 leituras)
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Adalberto Lima