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Dona Cegonha

Eu tenho um amigo dos tempos de criança e adolescência, hoje muito bem de vida, que gosta de fazer gozaação comigo. A esposa dele, tambpem amiga da mesma época, sempre discorda dessas gozações. Mas anão yem jeito, ele sempre arma o esquema da gozação. Ela consiste em me ostrar objetos antigos, aquees que gostei tanto e desejeoi tanto ter no passado. Ele começa a operação fazer inveja, mostrando uma caneta Parker 51, me entrega e manda eu escrever meu nome num papel, e eu escrevo, adoro escrever com essa caneta, ele toma, bota no estojo, depois mostra um relógio Lanco de corda em perfeito estado de conservação, o mesmo que possui aos 15 anos, manda eu botar no pukso, boto, depois tiro e entrego, aí ele mostra um Omega, depois um Mido, varias marcas e por fim um Rolex, objeto de meus sonhos de consumo, tambpem boto no pulso, rapidamente, logo ele retoma. Vai ostrando a coleção de gibis antigos, o cineminha feito com uma caixa de charutos e uma lâmpada com água no meio, a gente botava uma fita na expremidade e focava aua pilha e saía a cena na parede. Mosra ainda um sinuquinha que um marcineiro fez e a gente jogava quando criança, jogo uma partifda com ele e perco, sempre perdi. Mostra radiola antiga, incçusive uma com disco de 78 rotações, áluns de retratos, e um álbum das Balas ortunas completo. Garrafinhas miniaturas, chaveiros e o escambau. Mas, por fim, me leva até ao rádio de olho mágico, adoro esse rádio, liga, demora um pouco, acende o olho e funciona. Ele desliga, e só então manda trazer a garrafa de uísque do bom e o pratinho de carne de sol em fatias. E fica me gozando, sempre falando nas merdas que fiz na vida, zonando que hoje spu apenas um aposentado doente e comunista. Ri muito, eu também, enyre amigos a gente não liga pra nada, sabe que é tudo brincadeira.
   Na última vez que estive com ele, depois ds sessão inveja, do papo rolando uisque, do almoço nos trinques, qando já ia saindo, voltei de repente, me fiz de esquecido, tirei do bolso um envelope, e disse: - Bicho, ia me esquecendo, eu trouxe pra você um presente que vale por todos esses objetos qu você me mostrou, é uma composição que você fez qando tnha dez anos e a professora botou no jornal mural da escola, tem até o desenho a laís de cor que você fez, há tempos me mandaram uma caixa de coisas da escola que iam johar fora e eu descobri esaa redação sua. O cara abriu rapidamente o envelope e leu a seguinte redação transcrota exatamente como ele escreveu:
                     DONA CEGONHA
     Eu amo minha mãezinha e meu paizim. Todo dia rezo pela saúde deles. Maizi rezo também pur Dona Cegonha qui me troussi enroladim e siguro no seu biquinho e mi inregou na casa de mainha. Axo mermo que Dona Cegonha é uma santa.
     Abaixo desenho uma cegonha com um bebe no bico enroladinho numa fralda.
   O cara começou a chorar emocionado. E gritava: - Você quis se vngar de mim seu porra, demorou um tempão com essa relíquia. sabendo que eutrocaria ela porqualquer dos objetos que te mostrei. Vai escolhe um e leva.
   Não levei nada, apenas fquei satiasfeito. A mulher dele ainda disse rindo: - Ele te deu auma lição arretada. Nunca mais você va fazer inveja a ele. Todos esses obetos não valem a merda dessa composição.
   Nunca mais huve a sessão inveja, e a composição da Dona Cegonha ele ampliou e botou num quadro na sala. Inté.
Dartagnan Ferraz
Enviado por Dartagnan Ferraz em 16/05/2018
Código do texto: T6338198
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Sobre o autor
Dartagnan Ferraz
Recife - Pernambuco - Brasil
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