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Mudaremos a vinha




Como eu gostaria que estes nossos velhos políticos tivessem aprendido com os vinhos a atravessarem o tempo maturando-se, transformando-se em grandes homens, para que por nós, eleitores, fossem reeleitos. Mas isso nos parece ser um obsessivo desejo, uma vã esperança, uma utopia crível! Mas o poder lhes é capitoso e, uma vez tragado, nunca mais sai de suas cabeças. E com suas inoperâncias, apegam-se às castanhas doces das bessesses do governo e com elas jantam nos bródios privados, tão cheios de música e torpor, de que eles tanto gostam.
E as nobres safras de vinhos, deles, não saem e o poder os entorpece e o produto feito em prol da sociedade é um ponche azedo e mal fedido. Coitados dos nossos políticos, quase todos, eu digo! O mal que nos causa parece-nos ser ele adrede!
E o que se esperar de uma safra de homens que vêem, no que vão usufruir, seu maior fundamento na política? O lavor é mínimo; a ousadia é um dos mais aceitos pretextos para se compor tudo isso. Se ainda não os perdemos todos, tortos, nessa farra enjoativa feita com as suculentas viandas subtraídas da fome alheia, iremos perdê-los um-a-um sem que isso demore muito.
Tudo evolui; eles,  parecem, não o desejam. Entulham-se na indecência do deszelo pelos eleitores, e grupos deles somam forças em disputas indecorosas, seja pelas cédulas doces dos dólares da vida ou cargos vitalícios que lhes ofertam a ilusória tranqüilidade. Eles não sabem do que o povo é capaz para dizimir essas mazelas! De quebra, ainda empregam a família em peso, reconceituando o “nepotismo” que, entre trocas não-permissivas aos bons modos da arte, permanece e dá sustentação aos espúrios empregos. E, atuável, não vemos quase ninguém; há, sim, uma folia de brigas motivada por velhas intrigas que nunca aprendem a elogiar o adversário e com isso perdoar suas próprias ignorâncias.
Uma canoa furada deve levá-los rumo ao fundo do poço. O povo está mudando, apesar de movido por indistinta letargia, mas está sim e a cada eleição que passa, cobra mais e deixa-se levar menos pelos discursos inverídicos dos palanques melodiosos, coisa também não mais permitida pela lei eleitoral vigente.
Indiscernível bagagem têm esses nossos políticos. Em virtude disso, com raríssimas exceções, não nos é permitido aprovar sua lavra. E abnormais, eles se alastram nos vinhedos públicos, chupam-lhes as uvas, embebedam-se com os seus vinhos e,  mais filhos de Ló do que outra coisa qualquer, andam nus, antes mesmo que lhes tirem as roupas. Essa comparação não pode ser a bíblica, é claro; lá há lição dialogal com as parábolas áulicas. Aqui, apenas uma simbologia que fazemos, cheio de arrependimento por termos eleito um lote de homens tão inglórios e deficientes.
E diante da lambedoria que eles fazem com o bolo do erário, temos mesmo é que nos defender e não os eleger jamais. 2008 é ano de eleições, e não nos esqueçamos dos vinhedos do poder e do vinho da luxúria política; avancemos às ruas para as defender do joio prometedor que se assenta muito bem neles, sua maioria, capitosos, repito, não nos deixando permanecer com o fôlego novo da escolha diferenciada e da mudança almejada por um povo que já sofreu além do merecido.
Por tudo isso é mais do que necessário que nós, o povo, lancemos candidatos novos, caras limpas, inteligentes, cultos, letrados, para que, usando da sabedoria, possam, todos eles, desenhar um Brasil melhor, limpo, forte e viável.
Aprendamos a dizer que esse vinho amargo, mais nunca o tragaremos. Dessa nossa velha embriaguez, cheia de votos errados,  de cabrestos e promessas vãs, mais nunca. O Brasil precisa hoje de políticos inteligentes, técnicos preparados para andarem lado-a-lado com o desenvolvimento tecnológico; isso, sim, trará emprego e trabalho para a sociedade. Àqueles, é bem merecido que ofertemos o abandono através das  urnas e os brindemos com a cal da renovação. Pincéis há, mãos de sobra e vontade muita sendo criada por todos nós. O amanhã ser-nos-á melhor e mais humano. Sejamos os engenheiros de um socialismo justo e despartidário politicamente. Precisamos de que seja reconhecido, com  humanismo, amor e trabalho para todos, um novo socialismo emergente e diferente de todos os outros que conhecemos até hoje!
Paulino Vergetti Neto
Enviado por Paulino Vergetti Neto em 02/09/2007
Código do texto: T634940
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulino Vergetti Neto
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 59 anos
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Paulino Vergetti Neto