Para não dizerem que não falei das pequenas flores e dos grandes girassóis

Não podermos glamorizar a pobreza e nem demonizar a riqueza. Se a pobreza não quer ser pobre quer ser no mínimo suficiente. A suficiência é fruto do trabalho e salário justo. Mas quem oferta trabalho e paga o salário justo? O que é justo numa sociedade um tanto injusta, em que o pobre quando toma o poder se envaidece e faz-se Deus dos pobres sem dar-lhes riqueza.

O certo é que a maldade existe, algumas pessoas, em todas as classes e raças, optam por fazer coisas que elas sabem de antemão serem erradas. Todo o tipo de desculpa, desde pobreza até infância infeliz, é utilizada para explicar, justificar e isentar a maldade. Será apenas um problema criado pela sociedade? Ou é a perversidade dos seres humanos? Afinal o social é desumano, ou quem forma a sociedade se desumanizou?

Parece que estamos todos fadados à falência social.

Se a busca pelas "raízes da criminalidade" não for nem minimamente tão eficaz quanto retirar criminosos de circulação, do que nos valeremos?

A criminalidade e violência urbana dispararam, cartéis, o poder da droga, do narcotráfico, enfim, o crime comanda e aparentemente compensa. Onde foi ou está o erro? No desarmamento da população? Na política de segurança falida que permite que os bandidos constituam um exército e governem o seu povo sob o jugo do medo? Pela fragilidade das leis e de um código penal desatualizado, que não condiz com o caos que estamos vivendo? Na corrupção que sangra os investimentos em educação, saúde, moradia, lazer, dignidade? Nos eleitos ou nos eleitores? No passado, no presente ou no futuro?

O controle de armamentos falhou terminantemente. Até fetos são alvos de balas perdidas. A propósito, as balas perdem-se porque as armas estão em mãos perdidas ou acharam mãos para serem encontradas fora do seu substrato objetivo?

Estamos tão perdidos quanto às balas perdidas que ceifam vidas inocentes. Seriam eles felizes se estivessem vivos? Será que tiveram o destino que lhes cabia?

Afinal o que nos cabe neste momento em que todos lutam pelo poder político e não pelo poder social?

Difícil é encontrar alguém que ainda não tenha inventado uma nova "solução" para os "problemas" da sociedade. Assim formam-se as milícias, com pensamentos equivocados e atitudes extremas, a idolatria de genocidas totalitários que devastam sua terra e seu povo... Por conta da paz e da justiça se justificam crimes, afaga-se assassinos, diferenciam-se os iguais e igualam-se os diferentes.

O submundo do crime emergiu, estamos à nau e a deriva... Cuidado ai, não é anal deriva, apesar de ser fétido sulfuroso como alguns excrementos gerados pela má absorção dos alimentos em intestinos doentes (GIST?).

Está difícil de vislumbrar soluções. É um coquetel de ignorâncias competentes e competências ignorantes que não sabem de si nem dos outros, não veem os outros nem a si, apenas seguem perfumando suas ignorâncias com pequenas flores e decorando suas incompetências com robustos girassóis. Confunde-se inocência com sabedoria e sabedoria com arrogância. É a vida dizem uns, é a direta ou à esquerda dizem outros. Que tal deixarmos o impulso natural agir e somar as forças dualistas para que o caminho do meio seja um meio de ascensão à paz social?

Pequenas flores coloquem-se no lugar dos grandes girassóis quando o sol se põe, grandes girassóis coloquem-se no lugar das pequenas flores quando o sol for abrasador e o vento ingrato.

O melhor é colocar-nos no lugar do outro para sabermos o que é certo ou errado.

O meu medo é que o outro saiba mais de mim do que eu mesma, e sem me dar por conta eu passe a ser o outro.

Oh Vida!

Denise Reis- Presidente da Casa do Poeta de Santa Maria

Denise Reis
Enviado por Denise Reis em 19/07/2018
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