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DIFERENTE, POR QUE NÃO?

DIFERENTE, POR QUE NÃO?

Assistindo a uma reportagem sobre o sistema de quotas para negros nas universidades públicas, lembrei-me da discussão sobre a necessidade que o ser humano tem de se sentir aceito pelos outros, principalmente pelo grupo de que faz ou quer fazer parte. Essa tentativa de ser igual tem como resultado uma espécie de homogeneização social. Todos do grupo devem vestir-se igual, falar igual, agir igual, pensar igual. Isso funciona como se tentássemos reduzir todas as espécies de flores a apenas uma.
Chego ao absurdo de imaginar o chefe do Conselho da Igualdade do Município lendo o Decreto: “De hoje em diante, só teremos Margaridas nesta cidade”. Confesso que as acho delicadas no perfume, na textura e na cor, mas eu sentiria muita falta das Violetas, das Petúnias, das Rosas – Ah! Que saudade sentiria do cheiro doce e suave das Rosas! Admito até que, se encontrasse gente disposta a me apoiar, lideraria uma rebelião pela volta delas e de todas as outras, como forma de resgatar a pluralidade, a possibilidade de gostos e de escolhas diferentes. Nem me importaria de ser apontado na rua: “Ele é o que não gosta de Margaridas!” Mesmo que só eu e apenas outros poucos soubéssemos do verdadeiro objetivo da nossa revolta, ela valeria a pena no dia em que, após anos de muitas reuniões clandestinas durante as madrugadas, tramando o retorno das flores banidas, finalmente convencêssemos a população já entediada e pudéssemos parar na entrada da nossa cidade para assistir à volta triunfante daquela multidão de formas, cores e aromas invadindo novamente as ruas, os parques e os jardins, até então, cobertos de um branco agora já monótono.
Quem sabe, nesse momento, todos descobrissem que o interessante não está na semelhança, mas na diferença. Afinal, são justamente as diferenças que nos fazem tão atraentes aos olhos dos outros. Elas é que nos aproximam e nos permitem experimentar a diversidade, espantar a monotonia. Talvez nesse dia, passássemos a  respeitar mais os outros e a viver muito melhor.
Everton Falcão
Enviado por Everton Falcão em 06/09/2007
Código do texto: T641511
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Sobre o autor
Everton Falcão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 57 anos
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Everton Falcão