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A natureza da Cobra.

 Olho a natureza como natureza, mas também a olho como fonte de inspiração. Quando olho a natureza assisto a sua força infinda e seus espetáculos exuberantes. Diante de tanta grandeza vejo o quanto somos insignificantes.
Fauna, flora, água, terra, ar, fogo e uma quinta essência que falo depois. São minhas inspirações em momentos difíceis. Alguém não lembra, até um anjo que vez por outra sopra meus ouvidos. - As soluções de grandes dimensões; encontramos; analisando a natureza e seus fenômenos.
Vi cair um pingo d’água. É com um primeiro passo que percorremos uma longa estrada. Um pingo só depois de escorrer longo caminho é cachoeira.
Revi algumas lembranças enquanto criança e meu pavor das cobras.
A noitinha começava a cair e nós íamos dormir na mesma hora que a das galinhas. As cobras também. Contorciam-se entre os caibros e as telhas de nossas casa e eu as olhava e o meu medo sempre era dominado pelo sono. Dormia. No dia seguinte elas acordavam mais cedo e já não estavam mais lá. Nunca as vi acordando. Mamãe quando abria a porta da cozinha, esticando o braço e com a ponta da vassoura acordava as ainda preguiçosas e sonolentas, que fugiam mato afora.
Tenho pavor de cobras. Seu silêncio no caminhar percorre distância sem o ruído do primeiro passo; descuidada a presa já sem tempo é sua. Já não adianta mais o carinho a ter alimentado ela morde mostra seu veneno é sua natureza.
As cobras assim como as pessoas e organizações, grupos, governos, carregam consigo suas características e traços de personalidade. Nós alimentamos temos respeito até veneramos, mas a natureza que os compõe revelar-se-á no seu momento e é natural.
Pesquisando podemos enumerar as cobras de veneno letal que mordem e a morte é instantânea. As que a vitima agoniza em vida e horas depois está morto. Ou aquela vítima em que esta agonia se estende por dias e morre. Sem o pronto socorro e o soro antiofídio sempre morrem.
E ainda cobras que não mordem. Estas aprisionam sua presa serpenteando tal rosca aperta, sufoca e se a vítima não se cuidar morre também. A esta lhe digo seu nome Sucuri e é sobre a natureza desta cobra que quero concentrar esta crônica.
Vem de mansinho como toda cobra quando se ver sua presa já sem tempo tenta escapar e começa uma verdadeira batalha de vida e morte.
Primeiro dá a vítima uma falsa esperança de que pode ser vencida. Estratégia apenas para cansar sua presa. E tome arrocho nem mata também não liberta. A esperança última que morre vai morrendo aos poucos. A presa já cansada é hora de quebra-lhes os ossos e torná-lo quase morto sem movimento, engolir.
Se ninguém socorrer. Está feita a refeição fica mais gorda e vamos nomear outra presa.
Assim estão os governos, as organizações, os grupos, e também as pessoas do mundo inteiro, exceções claro. Não sei se estas são suas características, se lhes é da natureza, estão agindo tal qual uma Sucuri.
Na menor bobeira nossa se aproxima suavemente. Mostram seus encantos. Nos envolvendo e nós alimentamos para que tenham mais forças. Ficamos com isto mais vulneráveis e frágeis mais com tantas esperanças.
Cansados quebra-nos os ossos, desrespeitam nosso trabalho, nossas vontades, reduzem aposentadorias. Nos enchem de impostos e taxas e obrigações. Tome arrocho. E tome bomba de gás. E tome policia. E tome lapada para manter a ordem. Por que é nossa a irresponsabilidade, a doença, a desordem, a fome, a violência, a deseducação e a fonte de todos os males sociais. Apodera-se de nós e se ninguém nos socorrer; estamos prontos à refeição.
Você será a próxima presa? Cuide-se tem muitas Sucuris soltas por aí.
O cidadão coitado, enrolado de alguma forma, como eu e você,  nem fica vivo, nem morre e nem é liberto se contorce em esperanças sem saber que esta é sua parte na natureza.
   
Manuel Oliveira
Enviado por Manuel Oliveira em 08/09/2007
Código do texto: T644132
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Sobre o autor
Manuel Oliveira
Olinda - Pernambuco - Brasil, 63 anos
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Manuel Oliveira