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Homem brasileiro, Adolescência aos 30 anos.

Caro leitor, o texto que segue não é resultado de nenhum tipo de estudo de caráter científico. Se embasa apenas na observação do comportamento social dos homens, e na conversa com mulheres de várias faixas etárias, credos, etnia e etc. Boa leitura.

“Se eu fosse mulher eu jamais namoraria ou me casaria com um homem brasileiro.” Vou tentar exemplificar abaixo.

Cheguei à conclusão de que o homem brasileiro é machista, possessivo, instável, imaturo, violento, infiel, desonesto e mal-educado. Obviamente não todos os homens têm todas as qualidades supracitadas, porém uma esmagadora maioria possui ao menos uma dessas, o que seria para mim motivo suficiente para não me relacionar com eles. Abaixo farei exemplos que na minha opinião retratam perfeitamente os defeitos dos homens brasileiros.

Violência.
Vamos logo começar pelo mais grave e hediondo deles. O homem brasileiro é violento. É violento com outros homens, e o que mais me deixa indignado, é violento com suas mulheres. Não sei se é um “retrocesso” genético, ou se é mau caratismo mesmo, mas o homem brasileiro adora “dar uma de machão”. Isso se externa em diferentes casos.

O folclórico “filhinho de papai” que não tem com o que se preocupar sai com amigos com o único intuito de provocar brigas. Não preciso mencionar aqui os incontáveis casos de problemas do gênero em casas noturnas, bares, e festas populares que foram largamente veiculados nos meios de comunicação. Acredito que cada um de nós, conhece, viu e ouviu falar de dezenas de casos do gênero.

Certamente alguém pode tentar justificar dizendo que a raça humana é naturalmente agressiva. Que os homens do mundo inteiro são violentos e agressivos como de fato são, porém isso não modifica nada no que acabo de citar. O homem brasileiro é violento. Discorda? Leia um jornal dito “popular” e veja as barbáries em que nossos homens são especialistas. Vá a um lugar público (estádio de futebol, praia lotada, festa de rodeio, show de banda de rock e espere, eles não irão decepcioná-lo) se você tiver sorte não presenciará um homicídio a troco de nada, principalmente se a vítima não for você.

E com as mulheres? Nossos homens são violentos? Sim, no meu pequeno círculo de amizades já tive casos de homens de “boa família”, com boa formação, bem empregados que simplesmente se deram o direito de bater em suas parceiras. Pois é, algo extremamente abjeto imaginar um homem batendo em uma mulher. Mas lhes digo caro leitor, no meu minúsculo grupo de amigos. Agora imagine em larga escala.

Alguns exemplos? Uma pessoa conhecida foi arrastada pelos cabelos de dentro de uma discoteca. Tem comportamento mais cavernícola do que esse? A irmã de uma outra conhecida tomou um soco porque interveio na discussão da sua irmã com o namorado, isso também em lugar público. Uma outra amiga tomou um soco e eu vi o resultado, em uma discoteca porque esbarrou em um troglodita que anda solto pelas ruas, mas que deveria estar em um laboratório sendo estudado como ratos, a fim de evitarmos que seus genes sejam propagados, mas isso é outra história. O ex-namorado inconformado com o fim do namoro, esperou a namorada na porta de casa e deu uma surra nela, diante do olhar incrédulo dos pais. Na minha opinião caso de prisão inafiançável. Mas não sejamos ingênuos, o Brasil não é um país sério.

Afirmo que os poucos casos supracitados são verídicos e que obviamente não são os únicos que presenciei. Servem apenas como exemplo, para que o leitor possa refletir no quão primitivo e violento é homem brasileiro. Cada um que feche os olhos e lembre-se rapidamente dos últimos anos que certamente irá recordar casos parecidos ou piores que os meus.

Instabilidade.
O homem brasileiro muitas vezes justifica sua violência gratuita, primitiva e covarde com o seu estado emocional. “Eu estava nervoso”. Vejamos, se toda vez que eu ficar nervoso eu der porrada na minha namorada ou em um amigo, em muito pouco tempo estarei sozinho e sem dinheiro para pagar as fianças e os processos. Portanto, eu não aceito essa desculpa esfarrapada e mentirosa de quem diz que bate sem querer.

A instabilidade emocional do homem brasileiro fica também comprovada quando a mulher termina o relacionamento. Em muitos casos ele se faz de vítima. Mesmo sabendo que deu motivos de sobra para a separação, ele se comporta como se não soubesse de nada. Chora na porta da casa da ex-parceira. Se embriaga e em muitos casos persegue a ex-parceira e os seus amigos e novos namorados. Não é incomum que essa perseguição insana se torne violenta e doentia. Eu já fui perseguido por ex-namorado e sei o que estou dizendo. Mais uma vez o leitor pode lembrar de alguns casos que presenciou nos últimos anos e fazer sua própria reflexão.

Machismo.
Acho que esse é o aspecto que exige menos explicação. Acredito até que algumas pessoas tenham isso como algo natural e aceitável. Eu discordo, principalmente no modo com o qual isso se revela. O homem brasileiro acha que pode fazer tudo, (sair com amigos, chegar tarde e bêbado em casa) enquanto sua mulher deve apenas viver para ele. O homem brasileiro não ajuda nas tarefas em casa, (há quem diga que esse comportamento está mudando), mas eu presenciei inúmeras vezes o homem levantar da mesa sem retirar o prato em que comeu.

O machismo do homem brasileiro se alastra em todos os âmbitos da sociedade. Querem um exemplo atual? A bandeirinha que foi punida por cometer alguns erros. Eu lhes pergunto, que tipos de punição receberam os juízes do sexo masculino que todas as semanas cometem erros absurdos nos gramados do país? E qual é o problema da moça posar nua? Se você leitor, acha que isso influência na carreira ou no desempenho dela em campo, então você é machista. Outro exemplo? Porque os homens ganham mais para exercer as mesmas funções no mundo do trabalho? Poderia fazer outros exemplos, mas esse texto não tem como meta mostrar tudo, mas apenas fazer refletir sobre o tema. Cabe ao leitor a tarefa de lembrar de outros aspectos e tirar suas conclusões.

Possessivo.
Acredito que essa seja uma característica de fácil compreensão. Muitas vezes o homem brasileiro trata sua parceira como um objeto que ele possui e domina. Quem de nós nunca viu um homem tentar impedir que sua parceira freqüentasse determinado lugar? Ou que tentou impedir que sua parceira se relacionasse com certas pessoas? Ou o que é pior, tentou impedir que ela usasse essa ou aquela roupa? Tem algo mais estúpido do que isso? Mulher não é objeto, é um ser vivo e pensante que tem todo o direito de decidir por si só que roupa usar, onde ir e com quem ir. Se o parceiro não sabe lidar com essa liberdade, é melhor procurar ajuda psiquiátrica antes que sua relação se torne insuportável.

Certa vez eu ouvi da boca de uma amiga de classe média-alta do estado de São Paulo. “Meu namorado não gosta de show, por isso não vai. Mas ele também não me deixa ir com minhas amigas”. Seria engraçado se não fosse trágico. Antes de qualquer coisa, namorado não tem autoridade para mandar em ninguém. Nem que fosse o marido. Repito, somos parceiros de vida e não propriedade e proprietário. Se a mulher tem vontade de ir e vir e seu parceiro não quer acompanhá-la, nada mais natural do que ela ir sozinha em ou com outras pessoas. Os casais são formados por dois indivíduos adultos e independentes, acho que em pleno terceiro milênio já passou da hora de compreender esse pequeno porém indispensável aspecto da relação.

Infiel.
Essa é a parte mais divertida. O homem brasileiro é tão hipócrita que exige fidelidade, mas faz questão de mostrar que ele é o garanhão. Não sei como isso se instaurou na sociedade brasileira, mas ainda hoje, é tido como normal o homem “comer” todas as mulheres, enquanto elas devem viver para um homem só. É uma contradição paradoxal, pois se cada mulher de fato ficar apenas com um homem, os homens não terão mais com quem trair suas parceiras. Chega a ser engraçado, mas segundo a mentalidade brilhante do homem brasileiro, toda mulher é puta, com exceção da sua mãe e sua irmã mais nova.

O que mais me espanta nesse aspecto, é que o homem trai, se acha no direito de fazê-lo e se revolta quando tem o mesmo tratamento. Será que isso é desvio mental ou falta de bom senso mesmo? Não sei, nem tampouco estou interessado em saber. Mas desafio qualquer leitor a me dizer o contrário. Já presenciei um caso, onde o parceiro deu um escândalo dentro de uma loja de shopping center ao ver sua namorada mostrar o biquíni para alguns amigos e perguntar se tinha ficado bom. Mas esse mesmo homem dias depois me convidou para sair com garotas de programa. Imagine minha cara nesse momento.

Imaturo.
Se é que existe algum modo de amenizar a culpabilidade do homem brasileiro de seus defeitos, esse talvez seja um deles. A imaturidade do homem brasileiro está proporcionalmente ligada ao seu modo de vida em família. Por motivos sociais e econômicos o homem brasileiro vive com os pais até 30 e poucos anos. Sempre sob a tutela da sua mãe que o mima demais. O que acontece? O homem não lava suas roupas, não passa, não cozinha, não cria senso de responsabilidade e de independência.

Muitas vezes usa o carro dos pais para correr e dirigir bêbado. Infelizmente o Brasil não propicia a saída de casa antes dos 30 anos. Pois normalmente os primeiros empregos são escravagistas e pagam salários que seriam motivo de piada no mundo civilizado, pois não servem nem para pagar o aluguel de um quarto na periferia. Portanto é natural e compreensivo que o homem fique em casa até conquistar uma certa autonomia financeira, e isso acarreta os problemas que citei logo acima. Esse é sem dúvida nenhuma o aspecto do qual eu teria mais exemplos para fazer. Mas devido a sua obviedade dispensa qualquer outro comentário.

Desonesto.
Alguém pode dizer agora. “Alto lá; isso não tem nada a ver com a relação”. Eu digo que sim. E serei muito breve nesse ponto. Você leitora, casaria com um político brasileiro? Você leitor, deixaria sua filha casar com um dos políticos que sugam nossa sociedade ano após ano? Honestidade deveria ser a principal qualidade de qualquer homem. Eu, na posição de pai vou tentar influenciar minha filha a jamais se envolver com homens desonestos. Mesmo que sejam cavalheiros, fieis, maduros etc. e etc. Como posso educar minha filha hoje para que seja honesta se amanhã eu permitirei que se una a um “mensaleiro?” PS: Os desonestos não são apenas nossos estimados políticos. Acredito que para bom entendedor, meia palavra basta.

Mal-educado.
O homem brasileiro é extremamente mal-educado. Não faz a mínima questão de esconder isso. Nunca vi um dos meus amigos puxar uma cadeira, abrir uma porta, falar uma gentileza. Há quem diga que isso é coisa de velho. Pois bem. Na minha opinião, educação não tem idade. Principalmente quando se trata da nossa parceira de vida. Acho que custa muito pouco ser gentil, mas de algum modo e em algum momento da recente história, isso se desfez. Hoje em dia o máximo que um homem faz por uma mulher, é pagar a conta, mas não por educação ou gentileza, e sim por machismo. O mais triste nesse ponto, é que as mulheres estão se acostumando com isso. Já fui ridicularizado por tentar abrir a porta para uma garota com quem eu estava saindo, posso afirmar que foi a última vez que saímos.

Eu poderia continuar a mencionar outros aspectos e outros exemplos, mas não quero escrever um livro. Espero apenas que os leitores reflitam sobre o tema, já que a melhor forma de resolver um problema é reconhecendo sua existência.

Por fim, apenas a caráter informativo para os leitores que não sabem nada sobre mim. Tenho 31 anos, já fui casado, tenho uma filha e tenho uma excelente relação com minha ex-esposa. Moro na Suíça desde os 16 anos, mas não perdi contato com o Brasil. Vou ao menos uma vez por ano ao país. Mas estou certo que sair do país me ajudou a ver a sociedade com outros olhos. Sempre que estou no Brasil observo todos os costumes. Desde a música da moda, às gírias faladas pelos jovens.

Acredito que 70% dos meus conhecidos são mulheres, e é através delas que obtive muitas das informações quanto à relação a dois. Não sou perfeito e muito provavelmente possuo alguns dos defeitos que citei nesse texto. Não quero que o leitor pense que estou me colocando acima ou à parte dos problemas que mencionei. Minha intenção é a reflexão, não apenas do leitor, mas também a minha. Fiz questão de exaltar a classe social e região em alguns casos, para que o leitor não pense que apenas pessoas do Nordeste do país e pobres cometem os absurdos aqui exemplificados. São pessoas de estados bem desenvolvidos, vindas de famílias com boas condições. Portanto a classe social ou a região não deve servir de escusa para o comportamento do homem brasileiro.

Uma conseqüência disso pode ser o aumento do número de bissexuais e lésbicas, principalmente entre as mais jovens. Pode ser o aumento do número de mulheres brasileiras se casando com estrangeiros. O aumento no número de divórcios. Pena que não exista um estudo sobre esses fatores sociais e sua ligação com o comportamento do homem brasileiro.
Ullisses Salles
Enviado por Ullisses Salles em 12/09/2007
Reeditado em 07/12/2010
Código do texto: T648787

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Sobre o autor
Ullisses Salles
Suíça, 41 anos
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