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Revolução dos Sentidos

Considero os sentidos infinitos e não limitados a 5. Que eles podem ser tantos outros, muitos, todos, dependendo da pessoa, do que possui, escolhe, acredita, teme, sente e por aí vai.

Se inafastável a pré-nominação e enumeração, penso que deveria, no mínimo, ser reconhecido o pai dos sentidos ou a mãe, talvez. E para esse posto eu elegeria a alma.

Mas, ainda não me daria por satisfeita. Não é muita arrogância determinar como, quantos e quais são os sentidos das pessoas? Poxa, só elas podem conhecê-los! Chamemo-los de pré-sentidos então, seria mais honesto.

O que se faz é fechar um trabalho importantíssimo de crescimento emocional do ser humano. Entrega-se um trabalho pronto, finalizado! Parece-me ineficaz. Parece-me impossível ser infalivelmente fiel. Até porque os “pré-sentidos” em determinadas situações se confundem entre si, de forma que o olfato pode, por vezes, assumir descarada e impunemente os trabalhos da visão, e não necessariamente por força de uma deficiência física, mas por toque de amor.

Deixemos o ser humano descobrir e definir seus próprios sentidos.

Façamos uma revolução dos sentidos! Sigamos nossos instintos e nossos sentidos individuais! O que acham?

Eu já me considero uma revolucionária, simplesmente por amar. Sou amadora confessa.

Sim, porque o significado de amador também é “aquele que ama”, mas curiosamente atribuiu-se a ele outro que diz respeito - a não saber bem o que está fazendo, mas faz. Tudo bem, talvez seja mesmo adequado e eu me enquadre nas duas definições, mas sou técnica, tenho como obrigação respeitar a etimologia da palavra e eu amo, muito, portanto, pra mim é o que importa.

Tenho vários e por vezes mutantes sentidos. E eles jamais poderiam estar limitados ao número de 5 ou seus conceitos ligados aos constantes da lista dos pré-sentidos.

Por considerar importante a demonstração de real envolvimento revolucionário e talvez incentivar os possíveis adeptos, descreverei alguns dos sentidos que reconheço por amar lindamente, mas não anseie identificação. São meus. Para os seus, sugiro que tente uma conversa franca com a mãe dos sentidos. Só posso garantir a descoberta de que, como toda mãe, ela está em todos os outros sentidos também e ama a todos os filhos sem distinção.

Bom, os meus por amar:

A “alma”, mãe, procura uma escrita que lhe seja legível.
A “respiração” procura um campo não ofegante ou apnéico, desejando que, se assim o for, seja emoção, magia, encontro, surpresa, carinho, proteção, comoção.......
Os “pensamentos”, desesperadamente uma forma infalível de proteção. Tenta ser inteligente dentro da realidade frágil.
A “audição”, confusa, quer esperança, verdade, intensidade, amor e tantas outras luzes. Sim, luzes.
O “olfato” - que não se confunde com a “respiração” - , reconhecer o odor que chama, aproxima meu corpo. E o odor de permanência, familiarização.
O “tato”, sinais de verdade ou de equívoco comum;
A “visão”, o palpável, inegável, indubitável;
O “paladar”, a fuga do gosto amargo, das vozes que não querem ser ditas;
O “corpo”, uma temperatura dividida, compartilhada e cúmplice, incondicionalmente cúmplice;
O “sorriso”, um campo confortável, livre, fácil.
O “olhar”, a sintonia, o invadir sem tocar.
O “instinto”, coerência espiritual. Paz.

Mas todos estão intimamente ligados, sem qualquer possibilidade de independência ou rebeldia, sob pena de punição severa por parte da mãe de todos, que age sem sequer uma acusação, mas com sua dor, sua ferida, sua lágrima. E toca, sempre!

Eu? Um corpo, uma alma cujos sentidos ninguém consegue compartilhar, a não ser quem faz sentido.
Milena Romariz
Enviado por Milena Romariz em 12/09/2007
Reeditado em 03/11/2008
Código do texto: T649017

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Sobre a autora
Milena Romariz
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Milena Romariz