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NÃO QUERO SER UM WORLD TRADE CENTER

NÃO QUERO SER UM WORLD TRADE CENTER.
Marília L. Paixão
Dia sim dia não haverá um coração trancado por ai. No dia sim poderemos nos aproximar dele. No dia não melhor será manter distância e respeitar a solidão alheia. Todo ser tem seus dias em que a noite ou o dia oferecem claridade nenhuma.Todo ser escolhe sua hora em que chora ou que grita, ou uma hora em que maldiz a vida. Debruçar sobre nossas folhas brancas e enchê-las de conflitos nem sempre é suficiente para superarmos parte do que nos angustia. E mesmo quando nos sentimos eufóricos ou isentos de sofrimento, há momentos em que as janelas parecerão cerradas mesmo estando escancaradas. A verdade é que... muito sós acabamos  nos sentindo um grão de feijão. Ao olhar em volta, há espaço para crescer, mas parece não ter água... e se há água não sabemos obtê-la ou sequer sabemos se  queremos bebê-la. Crescer ou não crescer? Como viver sem crescer? Como deixar de ser um simples grão de feijão e crescer fortemente? Falamos de simplicidades, mas não nos contentamos em ser um simples “ser”. Ser simples parece simples demais para tudo que somos! Se a vida fosse simples, não haveria complexidade, diversidades, ambigüidades, desigualdades, enfim, a soma daquilo tudo que existe em formas multiculturais e que vários sociólogos e filósofos vêem com olhos diferentes. Portanto, é necessário abrir mais portas... É necessário possuir extras brilhos para os dias opacos, assim como precisamos de bons cobertores nos dias mais frios. Vivemos em busca do verdadeiro abrigo, do abraço não temporário, da mão sempre estendida. Precisamos ter do lado um reconhecedor do nosso ninho. Seja para presenciar e comemorar nossas pequenas vitórias seja para nos motivarmos mesmo quando estamos dando passos mancos. Sentiremos sempre pequenos se a solidão não for por escolha. Precisamos da presença daquela outra folha, daquela outra página por nós não rabiscada, mas construída por quem compartilha conosco, a vida. Não somos e nem queremos ser um livro de uma página só. As mais tristes poesias retratam a solidão. Caso encontre alguém dizer que é feliz sozinho, repare, ele está feliz naquele momento em que está acompanhado, ao falar, por exemplo, está possuindo sua companhia. Por que todo escritor precisa de um leitor? Por que guardamos o que escrevemos? Eu por exemplo não guardo para depois fazer uma fogueira e muito menos para lançar em alto mar! Por acaso já ouviu falar em gente que gosta de escrever para depois socar com alho, misturar na comida, por para cozinhar e comer? Também nunca ouvi. Ao guardar o que escrevo, penso: Gostei muito disso! Vou guardar que depois vou querer ler de novo ou vou mostrar para alguém. Se isso me serve como leitura, também servirá para outros. E quer saber, eu penso grande! Tem coisas que separo para  raras colheitas, outras coloco a prova para testar a empatia. Ando surpresa! Tem coisas que penso pouco delas e estas são admiradas. Vê como o mundo lá fora é constituído por feijões de tudo quanto é jeito! Vou aprendendo com tudo que escrevo, vou aprendendo a conviver com o feijãozinho que sou sempre que leio coisas maravilhosas dos feijões bons de verdade... A vida é assim... O importante é não desistir da qualidade e poder contar sempre com boas companhias. Possuir portas, portas amigas. Que por mais que se choquem com a primeira impressão que passo,  reconheçam depois que é tudo parte dos meus passos. Os passos que ainda estou aprendendo a dar. Quanto a este meu querer ser grande, é por que já me senti muito pequena. Não! Não quero ser um World Trade Center.
Marília L Paixão
Enviado por Marília L Paixão em 12/09/2007
Código do texto: T649188

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Sobre a autora
Marília L Paixão
Pouso Alegre - Minas Gerais - Brasil
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Marília L Paixão