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Ah! Querido Pablo Neruda, não fosse Matilde, queria eu ter sido a musa de teus cem sonetos de amor.  Mas não, foi ela, Matilde, “nome de planta, pedra ou vinho”;” a terra que implanta e educa os cravos”; “brejal entre tantas paixões eriçadas”; “ramo de sombra e água com silêncio”; “as maças que crescem ouvindo a água pura”; a voz da chuva chorando”; “a radiante magnólia desatada da espuma”, “a forma recém trabalhada na areia”; “unhas que alimentam o ciúme da lua”... Tudo isso e muito mais desenhado naqueles sonetos que se tornaram meus versos de cabeceira. Ai inveja de quem os mereceu. Rsrs
Bem, em 2013 eu estava escrevendo meus sonetos de amor, um desafio que implantei a mim mesmo. Eu pensava que nunca conseguiria escrever sobre o amor, um sentimento que, embora perfeito, tem seus reversos. Eram os reversos que me impediam de ver sua outra face, mas, lendo nossa querida poetisa do amor Lianatins no Recanto das Letras, eu ficava encantada com a forma sublime com que ela falava desse sentimento. Então resolvi escrever e decidi que seriam cem sonetos de amor. Até me assustei com minha decisão. Primeiro porque falar de amor não é fácil e depois escrever sonetos também não é fácil em razão de sua estrutura clássica. Mas comecei timidamente... E depois gosto de desafios.
Então um dia — se não me engano foi final de ano em 2013, quando sempre compro meus livros com super descontos para ler no ano seguinte — me encontrei com Pablo Neruda a primeira vez na Livraria online Saraiva, enquanto procurava meus velhos amigos Olavo Bilac, Cecília Meireles, Carlos Drummond, Mário Quintana, Vinicius de Moraes, Florbela Espanca... Imagine, até Camões, Bocage e Shakespeare estavam lá me esperando... Enfim, toda essa turminha que tem me inspirado ao longo do tempo com poemas simbolistas, modernos, parnasianos e não sei mais lá tanta coisa que, a meu ver, pouco importa muito, senão a essência poética. Eu havia combinado encontrar-me com todos eles para traçar momentos para 2014  e, talvez, por isso, o ano seguinte de 2014 tenha sido meu ano poético. Foi o ano que escrevi meus sonetos de amor e também a ode as estações do ano e outras poesias mais. Foi o ano que esses amigos estiveram mais ao meu lado declamando-me seus versos desde o café da manhã até me levarem para os braços de Morfeu. Ou seja, em 2014 eu me alimentei de poesia, sonhei com poesia e adormeci abraçada com a poesia.
Bem, mas então enquanto eu procurava por meus velhos amigos, esbarrei-me em Pablo Neruda, o poeta chileno, considerado um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX e poeta Nobel de 1971.  Eu já tinha ouvido falar dele, mas não o conhecia e até me assustei quando o vi ali com sua inseparável boina e, trazendo nas mãos como que, de propósito “Os cem sonetos de amor” numa edição de bolso. Eu não acreditei e parei bem de frente a ele. Meus olhos iam do livro ao seu rosto. Na verdade o que me assustou a princípio não foi Pablo, mas o titulo que  ele trazia amorosamente em suas mãos e que eu almejava para meu projeto.  Ele também parou e ficou me olhando nos olhos. Acho que adivinhou minhas intenções e sorriu. Ofereceu-me o livro.  O folheei avidamente porque nada mais me alimenta melhor do que versos. Uma pausa numa página:

 
"Venhas comigo" disse -- sem que nada supera
de onde e como ardia meu estado doloroso,
e para mim não havia chave nem barcarola,
nada senão uma ferida pelo amor aberta.
 
Repeti: vem comigo, como se eu morresse,
e nada veio em minha boca com lua que sangrava,
nada viu aquele sangue que subia ao silêncio.
Oh amor agora ouviremos a estrela com espinhos!
 
Por isso quando escutei que tua voz repetia
"Venhas comigo" -- fui como se desprendia
dor, amor, a fúria do vinho envelhecido.
 
que desde sua bodega submergida subira
e outra vez em minha boca senti um sabor de chama,
de sangue e de chaves, de pedra e queimadura.

 
Esse foi, na verdade, nosso primeiro diálogo : o chamado. E fui com ele. Enquanto caminhávamos entre as imensas prateleiras de livros— eu com seu livro aberto — ele me falou de Matilde, seu grande amor.  Nunca pude imaginar tamanho amor capaz de envolver toda uma realidade com metáforas tão lindas.
 
“Neste nome correm navios de madeira
rodeados pelos enxames de fogo azul marinho,
e essas letras são a água de um rio
que desemboca em meu coração abrasado”.
 
Não, não eu não podia mais escrever cem sonetos de amor. Os cem eram de Pablo Neruda e sua doce Matilde, a luz que de teus pés sobe a tua cabeleira,a turgencia que envolve tua forma delicada... “ ,
 
 Seria um plágio terrível e foi então que decidi aumentar um soneto em meu desafio e escrever 101 sonetos de amor ou de paixão. A partir desse dia, além dos poemas de amor de Lianatins como inspiração eu tinha também os sonetos de Pablo Neruda que não saíram mais de minha cabeceira. Que me perdoe sua doce Matilde, mas eu também amo Pablo Neruda e como ele mesmo disse... “morro de amor porque te quero, porque te quero, amor, o sangue e fogo.” E digo mais  através de seus versos que “tu e eu, amor meu, estamos juntos,juntos desde a roupa as raízes, juntos com outono, da água, dos quadris,até ser só tu, só eu juntos...”
 
Em 2014 eu publiquei meu livro “101 sonetos de amor ou de paixão”. Pablo sabe disso porque vive na minha cabeceira. Sabe, porque, de certa forma, em muitos de meus versos existe um pouco dele impregnado. Ele sabe, porque é difícil “os poetas se tornarem razoáveis, disse ele, algum dia... 
 
 
REFERÊNCIA:
NERUDA, Pablo. Cem Sonetos de amor. Editora: L± Edição: Edição de bolso (2 de abril de 1997) Idioma: Português




Imagem : eu e Pablo editada por mim no power point-
PS: caros amigos recantistas, essa é a segunda postagem da série Eu E ELES, um projeto em que falo de meus ídolos poetas e escritores  e minhas relações com eles de um jeito diferente. Eu e minhas invencices. vou postando aos poucos. até mais...)


PS.:caros amigos, vou me ausentar até segunda. Irei visitar meu paizinho e meu irmão na fazenda. Espero voltar mais animada para visitá-los e escrever. Até amis...


Sonia de Fátima Machado Silva e Pablo Neruda
Enviado por Sonia de Fátima Machado Silva em 07/11/2018
Reeditado em 07/11/2018
Código do texto: T6497205
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Sonia de Fátima Machado Silva
Coromandel - Minas Gerais - Brasil, 55 anos
1210 textos (47852 leituras)
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2 e-livros (114 leituras)
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Sonia de Fátima Machado Silva

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