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Dia de Sorte

Perdi a hora ao acordar de manhã, o despertador não tocou no horário combinado, meu carro está na oficina mecânica e para não perder o horário do ônibus para o trabalho, tive que sacrificar meu rotineiro café da manhã bem reforçado.
No ônibus lembrei que tinha esquecido a carteira em casa, fui obrigado a pular a catraca ou me obrigariam a descer no próximo ponto, que situação constrangedora, talvez fosse melhor ter descido amigavelmente no próximo ponto.
Chegando no escritório meu chefe já me aguardava junto ao diretor da empresa para uma longa e estressante reunião, passei a manhã inteira tentando explicar nossa nova “estratégia de marketing” para o diretor da empresa visando uma tão sonhada promoção. Passei o mês inteiro trabalhando em cima dessa nova estratégia que transcenderia as tendências para este milênio!
Acabei sonhando alto de mais e por pouco não fui demitido, meu chefe ficou vermelho frente ao diretor, tentou se explicar dizendo que eu sempre havia sido um excelente funcionário, mas que este mês eu havia sofrido uma decepção amorosa e isto teria interferido na minha criatividade e eficiência.
Saí da sala de reuniões pegando fogo, de raiva e vergonha, pensei em matar o primeiro inocente que aparecesse na minha frente, mas isto acabaria me prejudicando mais ainda, então me contentei em entrar na minha sala e quebrar todas as canetas que encontrasse pela frente.
Uma hora depois resolvi sair para almoçar, emprestei um vale refeição da minha secretária e levei a proposta de marketing, queria aproveitar os últimos momentos junto a ela, pois havia me decidido a queimá-la após o almoço.
Tive que enfrentar uma fila que já dobrava a esquina esperando por uma mesa vazia no restaurante, pensei em ir almoçar em outro lugar, mas a pouca higiene da concorrência me fez agüentar mais um pouco na fila. Quando estava quase chegando minha vez, o sol estava muito forte e tive um desmaio, meu organismo não agüentou, não havia ingerido nenhuma fonte de energia desde ontem à noite.
Fui levado para um hospital, mas precisei esperar em outra fila, não percebi o tempo passar, pois estava desacordado, mas quando meus sentidos voltaram, me dei conta de estar deitado numa maca com agulhas me alimentando com soro. Lembrei do escritório e levantei as pressas, tropecei em alguma coisa e fui ao chão novamente, alguém me ajudou a ficar de pé, os enfermeiros tiraram as agulhas, após um pequeno curativo e o preenchimento de uma ficha com meus dados, o médico me liberou e voltei ao trabalho.
Assustada com minha aparência, a secretária me ajudou a sentar no sofá, aproveitei para comer algumas bolachas com café, meu chefe vendo a situação em que eu me encontrava, resolveu me dar o final de tarde de folga, apesar de faltar apenas duas horas para acabar meu expediente.
  Emprestei um vale transporte da minha secretária e consegui chegar a salvo em casa.
Mal pude sentar no sofá e o telefone tocou, era do escritório, alguém havia me levado para o hospital, estava com minha proposta de marketing e queria conversar urgentemente comigo.
Tomei um banho rápido, peguei minha carteira e tomei outro ônibus de volta para o escritório, chegando lá, paguei minha dívida com a secretária e encontrei a tal pessoa. Uma mulher que aparentava ter meia idade, se apresentou sob o nome de Ângela, disse que gostaria muito de conversar melhor sobre minha proposta de marketing.
Explicou que estava passando pela calçada indo direto a uma agência de consultoria em marketing quando me viu cair, não pensou duas vezes em me socorrer, pediu que ajudassem a me levar até seu carro e junto recolheram meus pertences, enquanto eu estava desacordado ela havia lido minha proposta e voltou para sua multinacional para conversar com seus sócios.
Quando voltou não me encontrando, pediu informações ao médico que estava de plantão e descobriu onde eu trabalhava, foi imediatamente até meu escritório, mas como eu não estava, pediu que entrassem em contato comigo, pois era uma emergência.
Tanto ela quanto seus sócios se encantaram com a visão futurística da minha estratégia de marketing e resolveram me convidar para ser o diretor de marketing da empresa. De início não acreditei na proposta, mas conversando ela me convenceu de que estava falando a verdade. Sem perder tempo, aproveitando que meu chefe ainda estava no escritório e solicitei minha demissão. E ao chegar em casa, abracei meu despertador e prometi que o levaria para uma boa revisão no relojoeiro para que seu tempo de vida útil aumentasse consideravelmente.
Ricardo Takaki
Enviado por Ricardo Takaki em 14/09/2007
Código do texto: T651919
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ricardo Takaki
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 28 anos
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Ricardo Takaki