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ATÉ ONDE VAI A VAIDADE HUMANA 
Ysolda Cabral 




Ontem o dia foi meio complicado, travado... Dias assim são tão comuns para mim que não mais me afetam. Tiro de letra fácil, fácil. E foi conjecturando essas bobagens que encerrei meu expediente e segui viagem de volta à minha Candeias, - de ônibus, muito bem acomodada, num assento reservado para os maiores de sessenta anos. Quando chegamos no Bairro de Boa Viagem, na Parada do Shopping Center Recife, passageiros saíram do ônibus, outros entraram. Alguns até bem animados, já outros esbaforidos de calor. Entre eles, reconheci de imediato uma poetisa e escritora, minha ''‘amiga’'' virtual de longa data. Como o assento ao meu lado era o único desocupado, foi nele que ela sentou. Esperei que se acomodasse. Nessa espera tive a impressão que se escondia atrás do cabelo.  Aguardei, ponderando ser mesmo impressão e que, tão logo acomodasse a bolsa e as sacolas de compras no colo falaria comigo. - Ah, como eu estava feliz de conhecê-la! Bom, ela se ajeitou da melhor maneira possível, e nem olhou para mim. Talvez nem tivesse me reconhecido...

Feliz da vida, tomei a iniciativa e perguntei se ela era “fulana de tal” – me referindo ao seu pseudônimo. Para minha surpresa ela disse que não e ao me dizer seu nome de batismo, deve ter lembrado que eu também sabia desse e parou bem na metade, sorriu amarelo e falou outro nome…(??)

Nunca me deparei com uma situação tão inusitada e confesso  até agora não ter entendido a razão dela ter agido daquele maneira. Ora, nem gêmeas idênticas seriam tão iguais! Disse-me estar passeando por Pernambuco e que era natural do Piauí. 

Engraçado é que não sou muito de guardar nomes, mas guardo fisionomias e as reconheço, até as que conheci e conheço só de fotografia, mesmo depois de ''‘maquiadas’'' pelo Tempo se as encontrarem pessoalmente. E a fisionomia da minha companheira de viagem de ontem eu reconheci, sem nenhuma dúvida. - Será que ficou envergonhada por estar em assento reservado para o pessoal da terceira idade, ou por estar usando um transporte coletivo? - Quem vai saber o que se passa na cabeça de uma mulher vaidosa? ...

Depois de algum tempo, quando já ia chegando ao seu destino, lembrou de perguntar o meu nome. Eu, sorrindo, um sorriso triste e decepcionado, mas conformado, lhe respondi: sou Ysolda. Apenas Ysolda.

 
**********

Praia de Candeias-PE
06.12.2018
Apenas Ysolda 
Uma pessoa que chora e ri de alegria,
tristeza, ou saudade sem pudor.  

www.fugindodocontexto.blogspot.com.br 

 
Ysolda Cabral
Enviado por Ysolda Cabral em 06/12/2018
Código do texto: T6520487
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Ysolda Cabral
Recife - Pernambuco - Brasil
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Ysolda Cabral