EUTANÁSIA EM ANIMAIS

Atrevo-me a escrever a respeito, talvez com fins de terapia pessoal. Já me manifestei várias vezes favorável à eutanásia humana. É caso em que você sabe a vontade do enfermo, que, às vezes, a demanda expressa e veementemente. É coisa de gente racional, que pode expressar livre e conscientemente sua vontade. Completamente diferente é quando se trata de animal não racional. Minha experiência pessoal é voltada a um bicho que eu adoro, absolutamente fiel e dependente, o cachorro. Caso recente e absolutamente triste vivenciado por familiar, remeteu-me há quase quarenta anos, quando fui obrigado a mandar sacrificar um cão boxer (kOJAk) da minha maior estima, atropelado por automóvel, com ruptura severa da coluna vertebral. Uma dor que jamais passará. Quando fui visitá-lo, no outro dia, no consultório do veterinário, ele choramingava só de ouvir minha voz a certa distância. A sentença do especialista foi, então, inapelável: é caso sem solução. Fui obrigado a autorizar a eutanásia e é situação que até hoje me assombra e revolve a alma. Já está sendo difícil escrever este singelo texto, mas não posso espantar os meus fantasmas e sei que conviverei para sempre com esta dor, quase um sentimento de culpa, difícil de explicar. A vida é assim e temos de levá-la bem, mas espero partir antes da minha apegadíssima cadelinha Baby, Poodle de 12 anos, ceguinha da catarata. Isto que só a adotei há uns quatro ou cinco anos. Acredito que não mais resistiria firme a uma segunda eutanásia canina. A morte natural já é bem diferente.