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... A MEU PAI



(NÃO O CONHECI, ELE MORREU EU TINHA DOIS ANOS
ESCREVI AOS 16 ANOS)



A manhã vestida de açafrão ergue-se para trazer a luz aos homens
e, eu queria ter andado na praia junto com você
ter atirado pedras na água, e ter vibrado se elas pulassem mais de uma vez
queria ter ouvido a tua voz contando alguma estória pra mim
quando a tarde começasse a cair
e a noite cobrisse com um veludo negro o nosso "universo",
queria te contar dos meus sonhos
me embriagar de emoção, toda vez que você me pedisse pra sentar
e falar a mim alguma coisa da tua vida
queria voltar da rua correndo
e pousar a minha cabeça no teu ombro
sempre que me sentisse pequeno dentro dos meus problemas
sentir teu rosto acompanhando meus movimentos
e, a tua mão sobre a minha cabeça
me falando de coisas boas, e me dizendo para ser forte
queria sorrir muito a teu lado
e te falar do meu dia
queria amar o sol, amar a vida, porque você teria feito com que eu acreditasse que tudo  vale a pena...
sonhar, sim sonhar através dos meus olhos abertos
porque você estava lá dizendo, sonhe,
porque os sonhos nos conduzem as nossas conquistas
queria despertar todas as manhãs podendo sentir a tua presença e ficar feliz de saber que você  estava ali
atravessar as minhas horas, com um sorriso verdadeiro, acreditar cada vez mais no que de melhor existe
falar de você para as pessoas
acorrentar nossas forças, numa vibração mais forte
me agarrar as suas convicções, e exibir um brilho maior de confiança nos meus olhos
cada vez que alguma coisa me acontecesse,
porque sabia que o teu abraço me faria mais gente, mais humano, e mais perto de uma verdade qualquer,

mas, você sequer pôde me ouvir,
tão distante agora você está alem dos meus dias
ficou todo um espaço, uma janela fechada, uma porta que não se abriu,
não pude ver teu sorriso,
nem molhar o teu ombro, com alguma gota que rolasse dos meus olhos, só da janela,quando a chuva me impede de sentir o vento, é que vaza dos meus olhos e essas lagrimas salgadas, que quase sempre chegam ate a minha boca,
me lembra você,
me trazem um pouco de você,
meu pai;

BY JORGE BRITTO
JORGE BRITTO
Enviado por JORGE BRITTO em 17/09/2007
Código do texto: T656121

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Sobre o autor
JORGE BRITTO
Sumaré - São Paulo - Brasil
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JORGE BRITTO