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AMOR...


  A tirania pode existir em várias situações de vida. A relação tirano e tiranizado muitas vezes acontece bem próxima de nós, até mais próxima do que podemos perceber, ou do que desejássemos que acontecesse. Ela acontece várias vezes, todos os dias, em muitos lugares. Muitas vezes, mesmo sem perceber, de maneira natural, nós assumimos submissamente o papel de tiranizado, ou exercemos duramente o de tirano.
  Onde houver pessoas se relacionando, esta modalidade de relacionamento pode acontecer. Até mesmo nas relações afetivas!
  Por exemplo, existem casais em que um dos parceiros se comporta, como se fosse o dono e senhor do outro, e se acha no direito de fazer várias proibições. Proíbe o outro de se vestir como quer, de conversar com algumas pessoas, de ir em determinados lugares, entre tantas outras proibições.
  Proíbe o parceiro até mesmo de viver, e este, por sua vez, submissamente, abandona os sonhos, desiste dos projetos, elimina os desejos, abre mão até mesmo da possibilidade de vida, para não criar confusão, não contrariar, não aborrecer, ou seja, para não desobedecer, e assim, fortalecer a amorosa relação. Tudo pela paz, pela felicidade (do parceiro) e pela união do casal! Casal não são duas pessoas?
  Existem parceiros zelosos que fazem cara feia toda vez que o companheiro ou a companheira conversa com aqueles amigos (é puramente para protegê-lo, pois são todos aproveitadores, só querem atrapalhar o nosso maravilhoso relacionamento, afastar você de mim!)
 A forma autoritária que o parceiro tirano arruma para fazer prevalecer as suas ordens, às vezes é sutil, chegando a ser quase romântica e vista pelo tiranizado, como uma comovente demonstração do quanto o outro o ama!
  E pode acontecer através de chantagens emocionais: lágrimas, por exemplo, são ótimas táticas de se conseguir convencer o outro a fazer o que eu quero, e assim, se obter poder (principalmente quando desencadeiam sentimento de culpa). Impor ao parceiro uma dependência financeira só perde em eficácia para a dependência afetiva! Aliás, esta talvez seja uma das mais fortes!
  Amedrontar o outro também vale e é bastante usado, com inúmeras variações: pode ir desde a ameaça da agressão física, até uma aparentemente mais amena, mas bastante eficaz, que é a agressão psicológica, que começa muitas vezes com palavras de desqualificação do outro, destruindo gradativamente a sua auto estima, e tem seu ponto máximo com a ameaça do abandono, da retirada do que fazem o outro acreditar que é amor. “Se você fizer isso (se ousar me contrariar, ou seja, se não me obedecer), eu vou embora, me separo de você, te privo da minha amorosa e cuidadosa companhia, te abandono, te deixo sozinho (a) para fazer o que bem entender”. E o “eu me mato” ? Que expressão de autoritarismo poderosa, capaz de resultar até mesmo numa eterna prisão submissa do outro!
  Na maioria das vezes, existe até uma possibilidade de morte sim. Uma morte lenta, mas de quem se submete!



Francisquini
Enviado por Francisquini em 18/09/2007
Código do texto: T657129
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Francisquini
Lavras - Minas Gerais - Brasil, 57 anos
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