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     Olga nasceu de um parto difícil onde a mãe vem a falecer com forte hemorragia. O parto vem logo a mãe ser brutalmente abusada e agredida pelo marido bêbado. Ele o marido o Zeca não queria que ninguém soubesse que a mulher estava passando mal, pois ela tinha marcas da agressão. Mas alguém passou perto da casa ouviu os gemidos da mulher e avisou para minha avó que era parteira. Não teve muito jeito, nem deu tempo para levar a mulher para o hospital, a menina Olga nasceu, com sete meses, e minha avó a adotou.
     Uma menina muito bonita, uma boneca, e todos a amavam muito, pois na casa já não tinha mais crianças. Era muito mimada e assim foi crescendo, até que aos doze anos soube que era adotada. Naquele tempo as pessoas não comentavam sobre adoção, mas um irmão que era criado por uma dia, e apanhava muito, por inveja da Olga, num dia por acaso depois da missa, se apresentou e falou que era irmão dela. Ela chorou muito e disse que não queria ser adotada por ninguém, mesmo tendo uma vida muito boa, até mais do que meus tios e mãe tiveram na infância.
     
     Desde então Olga mudou, completamente e disse que ia crescer ficar rica e ficar livre da família. Eu tinha adoração por ela, minha melhor amiga. Ela se casou com um irmão do meu esposo, e tive que separar dele porque bebia demais, e estava se tornando agressivo, pois não é que ela também se separou e logo depois também vem para São Paulo.

     Eu já estava empregada numa multinacional, e não consegui vaga para ela lá, pois que lá se exigia pelo menos o ginásio completo, para ser servente de limpeza, rouparia, cozinha. E ela fez até quarta série e não quis mais estudar. Ficou muito revoltada, se afastou de mim, e disse que ía ficar rica e se vingar.


     Casou-se com um primo meu, montaram um depósito de materiais de construção, num bairro em desenvolvimento. E logo ficou rica mesmo, sabia trabalhar bem, e colocou as filhas do primeiro casamento também para trabalhar, batalharam e hoje depois de uns quinze anos, estão muito bem vida.

     Por fim, esqueceu todo mundo da família, que a amava, minha amizade, de minha mãe, tias, minhas irmãs, enfim da família toda. E fala com todas as letras que odeia pobre, que pobre só serve para ser empregado, ser mandado, não vai mais em reuniões de família, ficou uma pessoa mesquinha e arrogante, usa sempre o termo mocréia para falar das pessoas.

       Na verdade ela não sabe o que é pobreza e miséria, pois meus avós possuíam uma bela fazenda de café e cana de açúcar, meu avó fazia rapadura para vender na região e cidades vizinhas. Naquele tempo a rapadura era mais vendida do que o açúcar que por lá ainda era novidade, e só compravam par fazer doces. 
Ela teve as melhores bonecas, coisas que ninguém até aquele momento tivera. Tudo dela era separado, comidas especiais. Minha avó tinha sentimento de culpa por causa da mãe dela ter morrido, e não poder fazer nada por ela, e este sentimento de culpa, a fez criar a menina mimada demais.

     Hoje Olga arrota arrogância, diz que amizade com pobre é perda de tempo, que todo mundo tem inveja dela, que não se aproxima de ninguém, para que ninguém peça dinheiro para ela emprestado, etc. Na minha família quase todos tem depósito de construções, todos irmãos estão bem. Mas a bonequinha do passado criou uma couraça. Era revoltada pela mãe ter morrido, é uma pessoa muito solitária, até as filhas se afastaram dela. Continuo gostando dela, mas uma aproximação, estou tentando, nem que seja via zap. Mas é difícil. Para mim ela será sempre aquela amiga querida do passado, porque não consigo nem sentir raiva dela, e sim piedade.  Quando ela é internada para fazer alguma cirurgia, vou sempre visitá-la, mesmo assim.

     Nem do único filho homem ela teve piedade, cortou relações porque o Filho Lucas, casou-se com uma ótima moça, mas pobre. Ele teve que se casar em casamento comunitário, vive em casa alugada, sendo que a mãe tem mais de 20 casas de aluguel. Ela tem graves problemas psicológicos e um deles e a perversidade, mas a vida passa, e muda, um dia ela vai precisar das filhas. Não é só o dinheiro que trás bem estar e felicidade, o amor também, e o amor ela rejeita receber de qualquer pessoa. Um grande abraço mesmo assim, Olga...


TEXTOS 2019 PARA PAGINA DA NEMA ENCANTOS DA LETRAS
Este texto faz parte do Exercício Criativo - A Boneca
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Exercício Criativo, publicado em 18/02/2019, com o  tema "A Boneca que virou bruxa", Visite-nos para apreciar outros trabalhos com o mesmo tema: http://encantodasletras.50webs.com/aboneca.htm

"Há pesssoas que odeiam a pobreza, porque teve alguma coisa que a fez tomar raiva. Neste caso se os pais biológicos fossem ricos, talvez a mãe estaria viva, não seria adotada, e não teria irmãos pobres."
Norma Aparecida Silveira Moraes
Enviado por Norma Aparecida Silveira Moraes em 18/02/2019
Reeditado em 19/02/2019
Código do texto: T6577902
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Norma Aparecida Silveira Moraes
Suzano - São Paulo - Brasil, 62 anos
8948 textos (290070 leituras)
4 áudios (722 audições)
296 e-livros (15225 leituras)
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Norma Aparecida Silveira Moraes

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