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O Dentista

  Lá estava eu alegre e sorridente indo meu pegar o resultado da minha radiografia no dentista. Isso mesmo, como se não bastasse os dentistas se divertirem da nossa cara no dia do exame e da restauração gritando feito sacanas, temos que ir lá de novo para pegar o resultado 5 dias depois, não sei que diabo deve um dente ter de tão instigante para ficarem 5 dias analisando a porra da foto que ainda por cima não se vê nada. Será que eles vêem mesmo alguma coisa ali? Bom, mas isso é lá com eles.
  Voltando para a história era um dia de sol, de bastante vento. Uma manhã bonita de verão. Resolvi passar logo lá antes do trabalho. Pegar logo a bomba. Tudo tinha dado certo, o café finalmente estava no ponto (em vinte anos essa é a primeira vez que Maria acerta no café.), meu filho não tinha usado meu tanque de gasolina todo durante o final de semana e o trânsito estava uma maravilha, o que não é de costume em Salvador. Cheguei feliz da vida no prédio onde era o consultório do rapaz. Um rapaz jovem e competente. Já de cara peguei uma fila do inferno para conseguir subir. Eu olhava para o meu relógio e via os ponteiros andarem rapidamente. Eu começava a ficar nervoso. Suava, era um calor imenso. Agora veja, porque essas pessoas preguiçosas não vão de escada? E também porque só colocam dois elevadores em um prédio de vinte andares? Ora, veja o outro ainda monta o consultório no décimo andar. Deve ser porque é mais barato o aluguel.
Mas enfim voltando para a fila, finalmente estava chegando a minha vez. Eu sabia e apenas contara e recontara as pessoas na minha frente para ter a certeza que eu subiria no próximo elevador. O tão esperado elevador chegou depois de uns quatro minutos. Ainda falou: Térreo. Uma maravilha. Eu estava muito feliz com a chegada do maldito elevador. Passara trinta minutos na bendita fila. Eu estava tão ansioso que enquanto as pessoas na minha frente entravam eu quase as empurrava para andarem rápido. E fui entrando me apertando no meio das pessoas com um sorriso gigantesco no rosto e um bom dia de fazerem os passarinhos cantarem. Foi quando o ascensorista olhou para minha cara e disse secamente:
  - O senhor vai no próximo. Não está vendo que o elevador está cheio?
  A sorte desse cidadão era que eu estava com a política da boa vizinhança. Me calei e voltei para a fila. Claro que agora eu morri de vergonha das pessoas da fila que ainda olhavam para mim como um vândalo. Mas eu ignorei-as. O outro elevador chegou. Entrei satisfeito. Agora sim eu era o primeiro entrei rápido e corri para o fundo para ter a certeza que dessa vez não teria motivo para eu sair. As outras pessoas entraram. O elevador disse Sobe com uma voz feminina e subiu.
  Parava todo andar e as pessoas pareciam levar vinte minutos para saírem. Eu estava injuriado e com vontade de matar todo mundo. Ainda teria que ouvir chefe reclamando no meu ouvido no trabalho. Paramos no nono andar. A essa altura eu já tinha esquecido tudo que tinha acontecido e estava muito feliz.
  Foi quando um sacana de um cara da limpeza se aproximou do ascensorista:
  - E aí brother. Viu a mulé ontem?

  - Viii!! Estava uma maravilha. Mas vou largar a nega, tem outra aí querendo também.

  - Porra, você tá que ta né maluco?

  - Ô a idéia é esvaziar o ovo!! E tem mais...  – E continuou contando várias histórias absurdas sobre a tal nega. Levamos dez minutos. Eu estava a ponto de mandar alguém ir tomar naquele lugar mesmo. Mas pelo menos eu já estava lá na frente do consultório.
  Olhei primeiro pela porta de vidro só para me certificar que o dentista não estava lá na sala de espera. Ah não, se ele me visse iria rir da minha cara de novo lembrando o escândalo que eu tinha dado semana passada.
Área limpa.
  Lá fui eu. Tossi e dei bom dia. A moça muito simpática me respondeu o bom dia de volta. Pedi meu exame.
  - Desculpe senhor, mas a nossa impressora está quebrada e seu exame só sairá amanhã. – Quebrada? E como que faziam para dar os laudos antigamente? Eu fiquei vermelho de raiva, tive vontade de quebrar aquele consultório todo e de com aquele motorzinho me vingar daquele dentista cara cínica!
  Mas continuei a política da boa vizinhança e fui embora. Agora não precisava mais pegar fila, pelo menos podia descer de escada.
  A escada só ficava aberta em situação de emergência. Merda de dentista!


Malluco Beleza
Enviado por Malluco Beleza em 18/09/2007
Reeditado em 21/09/2007
Código do texto: T658205

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Sobre o autor
Malluco Beleza
Salvador - Bahia - Brasil, 31 anos
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Malluco Beleza