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                Tinha que ser no cabeleireiro de novo!!!!

                 Cheguei mais cedo que o normal e fiquei folheando umas revistas, puramente masculinas (os brutos também gostam de serem bem tratados): Quatro Rodas, Playaboy e  Mecânica Popular, lembram desta? A tal da Mecânica Popular ensina ao homem normal como fazer "coisinhas da casa". Imagina isso nas mãos de mulheres menos escrupulosas?? Seria o fim do fim de semana, da cerveja com os amigos, do pagode da periferia, do futebol da GLOBO,  ou você pensa que fazer uma cadeira seguindo um manual é fácil e rápido ? Você nem imagina uma cristaleira!!!! Essa revista deveria ser tirada de circulação!!!

        O Val (meu barbeiro!!!! Espero que ele não leia isto!!!) me chama para lavar as melenas secas como palha  com tanta falta de humidade e humildade por parte de certos governantes.......
         Sento-me e fico com a cabeça totalmente para trás. Daquele momento em diante, a única coisa que eu via era a falta de tinta num trechincho do teto e algumas gotas d'água que respingavam em nos meus olhos.O teto possuía um branco gelo meio acizentado com nuances azuis.
          Uma mulher passa por mim, porém não vejo quem era, nem  a idade, somente que era mulher, pois o barulho dos saltos podiam ser ouvidos na Avenida Zelina!!!! 

       A distinta senta-se de frente para mim, porém não podia vê-la. Em poucos segundos comecei a tremer, a boca  secou, fiquei paralizado por alguns segundos,  cada palavra dela soava na minha cabeça com um tambor indígena, chamando os espíritos ali invocados. Queria me levantar mas não podia. A risada dela então era de uma similaridade com a morta que me arrepiava todo. Começei acreditar que eu era o novo Chico Xavier. Palavras, entoações da voz, tudo lembrava a nossa querida e hilariante atriz com sotaque da zona leste.

      Era a Nair Bello!!!! Sério!!!! A mulher falava com a voz da Nair. A Nair tinha um sotaque mooquense inconfundível, não como nosso governador Serra, um mooquense meia-boca. Gente, se vocês não acreditam nessa história liguem para o Val e perguntem. Ela passou um bom tempo falando do Opala que o marido tinha e como cuidava dele. Eu só ouvindo e tentando entender qual a mensagem naquilo. Eu a escutava porém não podia confirmar sua face......Ela foi embora e não a vi mais, ficou somente o som da voz dela, uma hilariante risada escrachada de linda.

     Sabe que bateu uma saudade danada dela, a risada dela deveria ser tratada como um  hino da alegria despojada, do despudor da alma, um hino para saudar os vitoriosos. O sorriso dela deveria ser estampado em toda a cidade em out doors e ver se a violência diminui um pouco com uma atitude mais positiva, mais alegre. A risada dela contagiava até quem não tinha o que comemorar.
        Como atriz,  foi uma boa atriz, nada demais, cumpria o papel dela, mas como ser humano sei que ela foi um exemplo, afinal mesmo após perder um filho com vinte anos de idade em um acidente, não se entregou e permaneceu alegre até sua morte. 

       Obrigado Nair Bello pela tua alegria e teu sorriso...... mas cá entre nós Nair, ninguém, vai acreditar que era você mesmo lá no salão, querendo dizer para todos que um sorriso faz mais efeito que mil palavras afáveis......vai ser difícil as pessoas acreditarem nessa história,   afinal você ficou falando de carrrrrrrro ( como se fala na moóca) o tempo todo.
    
          Mas quem sabe não  era mesmo!?!?!?!
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     Um beijo da Nair  Bello para todo mundo

             17  DE ABRIL DE 2007

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Miguel
  19 de Setembro de 2007 - 19:07

    
                
JOSÉ MIGUEL DELGADO
Enviado por JOSÉ MIGUEL DELGADO em 19/09/2007
Reeditado em 19/09/2007
Código do texto: T659671

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Sobre o autor
JOSÉ MIGUEL DELGADO
São Caetano do Sul - São Paulo - Brasil, 57 anos
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JOSÉ MIGUEL DELGADO