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PARA ONDE CAMINHA A HUMANIDADE?

A humanidade sempre caminhou para um progresso tecnológico e cultural até certo ponto buscado e desejado por muitos. Hoje, em plena a era da cibernética, ela não mais caminha, mas, voa assustadoramente. Com isso, as informações chegam cada vez mais rápidas. E o acúmulo dessas  deixa os mais desavisados meio que perdidos. Sem saber o que fazer com tantas informações. E, muitas vezes, sem conseguir decodificá-las também, da forma correta. Assim, também o comportamento das pessoas vai mudando. Os hábitos, costumes, gostos, necessidades, tudo muda. A humanidade ganha outro status: chegou à vez do homem pós-moderno.

Então, paro pra pensar e concluo que o mundo pode mudar, mas pai e mãe sempre foram preocupados com os filhos em todas as épocas, em todos os lugares. E continuam a preocupar-se nos dias atuais. Dessa forma, até por uma questão de conflito de gerações, passei a analisar a sociedade humana a partir do ano de nascimento de minha mãe, 1945. Queria entender suas atitudes para comigo e conclui que para entendê- la eu precisaria saber o que ela viveu em sua juventude. Como era o mundo naquela época.

Em minhas pesquisas descobri que quando minha mãe era adolescente, sempre que tinha um baile, minha avó a levava e junto dela, suas  irmãs que também eram moças. Mas, o mais incrível é que ela ainda se fazia acompanhar por meus tios que eram meninos pequenos na época. Perguntei então, se deixavam crianças permanecerem em salões de baile durante a noite. Ao que me responderam que na época haviam quartos nos salões de baile. De forma que as mães levavam as jovens para a festa e os seus pequenos, para não ficarem sós em casa, iam juntos. Quando lá chegavam, as crianças pequenas iam brincar nos referidos quartos, onde também haviam brinquedos para elas. Quando estivessem cansadas, tanto as crianças quanto as mães e filhas que estavam no baile, poderiam ali pernoitar, pois havia camas suficientes para todos. E, mais, a família também jantava nesses locais.

A preocupação das mães e pais da época era que suas filhas moças não se ¨perdessem¨. Isto é, que não trocassem beijos e abraços em público, com seus namorados, ou pior ainda, que não mantivessem uma vida sexual anterior ao casamento. Quanto aos rapazes, a preocupação dos pais era no sentido de que esses não se relacionassem com desordeiros e, ou viciados.

O tempo vai passando e poucas décadas após os salões perdem os quartos. Muitas mães também deixam de permanecer nos salões de baile, restringindo-se apenas a acompanhar suas filhas até lá e retornando mais tarde para buscá-las. Os jovens ganham um pouco mais de liberdade. E a preocupação dos pais parece que diminui, pelo menos com relação aos namoros. O beijo e o andar de mãos de dadas passa a ser permitido, desde que não em exagero. Os jovens passam a ter hora marcada para retornar pra casa.

As brigas são raras e quando acontecem, além de serem consideradas pela maioria como coisa de desordeiros, é apenas entre os dois desafetos. Ou seja, quando alguém por qualquer motivo, chegasse ao ponto de entrar em uma luta corporal, deveria segurá-la sozinho. Os outros até poderiam assistir e tentar apartar, mas ninguém se reunia para ajudar a bater em ninguém.

O tempo continua passando e cada geração procurando ¨fazer diferente¨  do que seus pais fizeram consigo. Assim, as liberdades continuam crescendo ao ponto de tornarem-se ¨libertinagem¨.

O espírito belicoso dos jovens cresce assustadoramente. Hoje, quando alguém olha para o outro, corre o risco de ser visto como um inimigo. E assim sendo, antes que o inimigo ataque, uma turma o intercepta e esse por sua vez, é defendido por outra turma. Quando então, os jovens promovem verdadeiros massacres entre eles próprios. Essas turmas muitas vezes, transformam-se em gang que por sua vez, vivem em constante estado de guerra civil.

Então, agora, a preocupação dos pais reside também, no fator brigas. Ainda que seus filhos sejam orientados para não se envolverem em brigas na rua ou nas festas, os pais sabem que eles podem ser envolvidos mesmo que não queiram.

Quanto ao amor, em 2000 surge uma nova forma de se relacionar, o ¨ficar¨. Trata-se de um relacionamento meramente físico, onde jovens trocam beijos e amassos descompromissados. Então, hoje é permitido num mesmo baile ficar-se com várias pessoas numa única noite. Com isso perde-se toda a poesia do encontrar, gostar, envolver-se e entregar- se. O Amor passa a ser ridicularizado e com ele todos os outros valores que nossos pais em gerações passadas nos ensinaram a cultivar. Muitos jovens hoje têm vergonha de dizer que amam, por achar que esse é um sentimento de fracos.

Não há mais o respeito pelos pais, professores, idosos, pela própria vida humana. A falta de Amor é geral e, em conseqüência disso, nossos jovens são seres cada vez mais tristes, sem perspectivas de dias melhores. Os mais velhos sofrem também, por temerem as atitudes desses.

E no mundo como um todo o que aconteceu de 1945 para cá?

No dia 30 de abril de 1945, um dos homens mais odiados do planeta Terra, Adolf Hitler se suicidava. A Segunda Guerra Mundial então, chegava ao fim. A 02/05/45 a capital alemã foi ocupada e menos de uma semana depois rendeu-se totalmente, em Reims. Entretanto, ainda haviam alguns conflitos no Pacífico. De forma que no dia 06 de agosto de 1945, a humanidade veio a conhecer a mais terrível criação tecnológica: a bomba atômica.

Nesse dia, Hiroshima iniciava sua lida diária, quando, às 8h45m, um avião inimigo lança sobre seu território, a bomba denominada, ¨Little Boy¨.  E, imediatamente, Hiroshima transforma-se num grande campo deserto de qualquer vegetação e ou mesmo prédios.
Num raio de 2 quilômetros, tudo foi destruído. Todas as pessoas que estavam dentro desse perímetro, foram mortas instantaneamente. E os que estavam além e sobreviveram, ficaram atônitos sem entender o que os tinha atingido. Muitos dos mortos tiveram seus corpos desintegrados, fazendo com que depois, surgisse ainda uma longa lista de desaparecidos, o que causava mais sofrimentos ainda, para os que sobreviveram.

Como reflexo da bomba, caia ao longo do dia, uma chuva preta, oleosa carregada de poeira radioativa, que contaminava o solo e os lençóis  d’água, promovendo mais doenças, danos e mortes.
Ainda hoje, sessenta e dois anos após essa barbárie, continuam se contabilizando o número de vítimas que já ultrapassa os duzentos e cinqüenta mil mortos e lembrando os horrores vividos por nossos  antepassados na época.

Mas, por incrível que pareça, não obstante todo esse sofrimento do povo de Hiroshima e Nagasaki, nas décadas que se sucederam ao ataque sofrido por esses, o poderio nuclear das grandes potências continuou crescendo e os arsenais se sofisticaram e, ainda, se aprimoram cada vez mais.

Assim, enquanto os jovens hippies pediam a paz, as armas atômicas continuavam sendo produzidas e o mundo viu-se às portas de mais um holocausto provocado por bomba atômica, influenciada pela Guerra Fria.

Depois, em mais uma guerra absurda, veio a bomba de Napalm. A União Soviética caiu e o acidente de Chernobyl que se caracterizou por ser o maior acidente nuclear civil da história da humanidade, ao menos, por enquanto.

Porém, os humanos pareciam não estar satisfeitos com tudo isso. Então, em 2001, num 11 de setembro macabro e inesquecível, dois aviões suicidas derrubam as torres gêmeas de Nova York. E, com isso, mudam a história, desencadeando uma onda de desconfiança, em estado de guerra mesmo, que vê e busca inimigos em todos os recantos do planeta.

Enquanto isso, a lembrança do sinistro cogumelo que em 06 de agosto desenhou-se no céu de Hiroshima em 1945, não tão distante, continua sendo um eterno convite à humanidade para que pare e reflita...

Essa rosa que escureceu os céus de Hiroshima, levando até a pele das pessoas e transmutando-se numa chuva negra, que envolveu aquela cidade em desolada mortalha, continua pairando como ameaça real e pavorosa, sobre nossas cabeças ainda hoje.

Partindo-se do pressuposto de que o fim, a morte, não seja o pior de tudo, ainda assim, deveríamos pensar. Como ficariam os que sobrevivessem a um atentado desses? As seqüelas de uma atitude premeditada e ou um acidente tenebroso desses. Quantos feridos, quantas doenças, dores, desgraça... O que mais precisa acontecer pra que a humanidade se acorde? Pense. Amanhã, pode não haver mais nada há se fazer.

Será que não há mesmo mais espaço para o Amor nesse mundo? O que será de nós? Para onde caminha a humanidade?
Tânia Regina Voigt
Enviado por Tânia Regina Voigt em 20/09/2007
Reeditado em 04/05/2009
Código do texto: T661201

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Sobre a autora
Tânia Regina Voigt
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil
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