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Daisy e a espera sem fim


     Posso imaginar o dia que ela chegou no seu novo lar, uma filhote cheia de alegria contagiante. Logo cresceu e ano após ano foi sendo colocada de lado, então seus donos resolveram brincar de esconde-esconde, talvez foi isso que ela pensou quando foi empurrada para fora do carro junto com um saquinho de ração.

     Eu vinha andando na rua e vi a cena de covardia. Um casal aparentemente comum. Pararam o carro em frente a praça e atiraram a pobre cadela na rua. A bichinha ficou distraída com a ração e sem entender a atitude de seus donos ficou a esperar o retorno deles, mas não voltaram.

     Vi quando o vento gelado trouxe consigo uma morosa chuva que perdurou até amanhecer. As gotas d'água banhavam a vidraça da minha janela, banhavam também a rua e a cadela. Não havia nenhuma pessoa na rua, apenas a abandonada sentada e com um olhar fixo na direção que o carro partiu.

     Acostumada com o conforto da sua ex-casa, acredito que pensava nisso e no quanto era estranho estar na rua sem ninguém. Eu já estava comovido há tempo, aquilo me doeu. Desci pela escada o mais rápido possível e fui de encontro a ela. No colar dela estava escrito Daisy, o pelo macio todo ensopado de água.

     Levei-a para meu lar, Daisy era adorável. Enxuguei ela, lembro que conversamos muito e quando Neco apareceu ela ficou com um olhar estranho. Neco era meu gato que hoje também brilha no céu. A essa altura o temporal emitia seu barulho, enquanto Daisy e Neco comiam, acho que ele não gostou de repartir sua comida.

     Daisy pouco a pouco foi sentindo ser parte da casa, quem gosta de animais sabe que adoram ser manejados, ouvidos, ela parecia tão carente, Neco se tornou seu amigo. A nossa amizade durou até o dia que partiram. Apesar do tempo que estivemos juntos, dos bons momentos marcantes, Daisy agia como se não tivesse esquecido do dia que foi abandonada. Sempre que passeávamos pela praça ela parava no exato local em que fora deixada, olhava para a rua e para mim, em seguida voltava a andar. Daisy perdoou aqueles que foram seus donos e carrascos e não deixou de esperar por eles sequer um dia. Os animais são puros e sinceros, verdadeiros amigos.
Leandro Ferreira Braga
Enviado por Leandro Ferreira Braga em 17/05/2019
Reeditado em 17/05/2019
Código do texto: T6649446
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Leandro Ferreira Braga
Fortaleza - Ceará - Brasil, 25 anos
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Leandro Ferreira Braga