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                   A franciscana Canindé

                                       
Paz e Bem!


     A pequenina e santa Canindé. Ela fica a 120 quilômetros de Fortaleza. É uma cidade franciscana, pobre e muito quente.
     Os filhos de Francisco de Assis estão por lá desde 1758. Às margens do rio Canindé, que deu o nome à cidade, eles construíram um convento, um colégio e um belíssimo santuário seráfico.
     Ao longo dos anos, os seguidores do Poverello desenvolveram, naquele sofrido pedaço do Ceará, um competente e piedoso apostolado.
     Graças ao eficiente e persistente trabalho desses abnegados frades, o Ceará pode perfeitamente ser considerado o Estado mais franciscano do Brasil; e Canindé, a Assis brasileira.
     Canindé recebe, todos os dias,  romeiros do Piaui, de Pernambuco, do Pará, de Alagoas, do Maranhão, e dos nordestinos que o destino levou para o sul do país. 
     Eles chegam ao santuário de ônibus, a cavalo, nos famosos paus-de-arara, de jegue, e a pé.
     A romaria cresce, assustadoramente, durante a festa do taumaturgo assisense, que vai de 25 de setembro a 4 de outubro.
     Durante a festa, as novenas são cantadas à boquinha da noite, logo depois da procissão solene, que tem benditos, foguetes, vivas e banda de música.
 
     Missas são rezadas de hora em hora, a partir das quatro da madrugada. Os frades chegam aos confessionários antes do sol nascer. A maioria dos peregrinos prefere a confissão auricular. Confissão comunitária, só em última instância. 
     Os romeiros de Canindé são diferentes dos romeiros que conheci em outros santuários de grande devoção. Eles pagam suas promessas vestindo uma mortalha marrom, com um cordão franciscano contornando-lhes a cintura: vestem-se como São Francisco das Chagas!
 
     Alguns fazem promessas extravagantes. Como, por exemplo, circular, de joelhos, uma, duas, e até três vezes em torno da Basílica, o que não é nada fácil.
     Promessas que podem ser substituídas por outras mais leves. Basta que o frade missionário mais  próximo autorize a substituição.  Sem o consentimento do frei, nem pensar!
     É comum  os romeiros manifestarem o desejo de serem enterrados vestidos no burel seráfico. Não só os romeiros humildes de Canindé escolhem esse tipo de mortalha. Figuras ilustres também o fizeram.
     Consta, que D. João VI determinou à família real que o enterrasse vestido no hábito seráfico. Não sei se lhe satisfizeram o desejo.
     Leonardo Mota, aplaudido escritor e folclorista cearense, fez idêntico pedido. E, de hábito, atestam seus biógrafos, foi sepultado.
     Nos idos de 1947, eu quis ser franciscano! E fui estudar no Colégio Seráfico de Canindé, que, sem poder se manter, foi fechado, e assim se encontra, desde 1967. Sentiu sua desativação a garotada pobre do Ceará.
     Durante três anos, frequentei, como aluno dos frades, a Basílica de Canindé, o maior santuário franciscano da América do Sul. E me tornei um fervoroso devoto do Pobrezinho de Assis.
     Mas, apesar de tê-lo escolhido como meu guia espiritual e protetor, não consegui ser frade. Deus e São Francisco sabem por quê...
     A festa de São Francisco de Assis começa amanhã. De 25 de setembro a 4 de outubro, o Ceará e os demais estados do nordeste se encherão de uma alegria diferente: a alegria franciscana. 
     Vale a pena ir a Canindé. Lá, a gente vê como é bom e bonito ter Fé. De lá, a gente sai mais feliz...

Foto - A Basílica de Canindé, como ela é, hoje.

          

         
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 24/09/2007
Reeditado em 26/02/2015
Código do texto: T665941
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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