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VIVA A MORTE!

Morrer é voltar ao equilíbrio;
Já a vida é caótica. Uma bagunça!

A morte sempre é rápida. Em poucos segundos o oxigênio deixa de chegar ao cérebro e pronto;
Enquanto a vida é demorada. Leva toda uma existência.

A morte é eterna, para sempre;
Mas essa vida é tão efêmera, passageira.

Morre muito mais gente do que nasce;
Em compensação, parece que pouca gente quer viver nesse mundo.

Morrer não custa quase nada (pular do viaduto e enterrar o corpo na indigência é de graça);
Por outro lado, a gente vive a vida inteirinha e não paga o que gastou pra ter estado vivo.

Dizem que a morte é a única certeza que temos nessa vida;
Já viver é reticente (ninguém sabe se vai estar vivo no dia seguinte).

Qualquer um morre;
Mas viver é para poucos. Só para quem pode.

Quando a gente morre vai pra debaixo da terra, pro
fundo do mar ou pro fogo;
Se estamos vivos, não. Ninguém sabe aonde está indo.

 
A morte é divina, uma lei de Deus;
Em contrapartida, vivemos num inferno desumano. Regidos pela “Lei do Cão”.

Pense bem: Morrer é definitivo, irrevogável, conclusivo;
Já a vida é concessionária, permissiva.

Morrer é tão fácil! (basta uma cordinha no pescoço ou uma dose de 1.080);
Enquanto permanecer vivo é dureza.

Filosofando um pouquinho mais, a morte é o futuro de todos;
Agora, viver, no máximo, é o nosso presente.

A morte é espiritual, dionisíaca;
Viver é terreno. Dantesco.

Sempre morremos como passarinhos. Flutuando leves pelos ares;
Já viver é um fardo que carregamos por toda uma vida.

Morrendo entramos em um completo silêncio,
saindo dessa vida hiper-barulhenta.

Na prática a morte é temida. Todo mundo a respeita;
Enquanto desafiam todos os dias a vida.

Pelo menos numa coisa todos concordam: A morte é única, não existe igual;
Mas é engraçado haver tantos estilos de vida. A vida é multifacetária.

Indiscutivelmente morrer é simples, sem complicação;
A vida? É uma novela mexicana. Um babado super complicado.

Pelo menos se morremos "ficamos em paz" (depois de mortos, é tranqüilo);
Até lá estamos "na luta", vivos!

Cada qual morre sozinho. É um lance individual, particular;
Mesmo que seja impossível viver solitariamente, sem contato com alguém.

Morrendo entramos num sonho,
saindo do pesadelo da vida.

Por fim, a morte é forte. Manda na gente e na vida;
A vida apenas obedece. E só serve para a morte.
Gustavo Arruda
Enviado por Gustavo Arruda em 25/09/2007
Código do texto: T667324
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Sobre o autor
Gustavo Arruda
Recife - Pernambuco - Brasil, 51 anos
5 textos (1849 leituras)
2 áudios (564 audições)
3 e-livros (385 leituras)
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Gustavo Arruda