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VIAGEM A MG II

O CASO DO STRADIVARIUS

Nelson Marzullo Tangerini

          Era um feriado longo. A memória não ajuda e não me lembro qual.
          Nelson Maia Schocair, Roberto Carlos Costa de Oliveira [já falecido]  e eu resolvemos pôr o pé na estrada e irmos para Minas. Chamamos Osvaldo Luiz Cabral Martins, nosso amigo, [também já falecido] para viajar conosco, mas ele preferiu ficar. Estávamos pensando em formar uma banda e queríamos viajar para Minas para compor. Mas ele foi irredutível.  Talvez para não deixar sua mãe idosa, Dr. Esther, sozinha em casa. Ou talvez pressentisse o que aconteceria durante a viagem.
          Antes de nossa ida, porém, Osvaldo, Nelson e eu escrevemos a canção meio mineira ESPELHO RETROVISOR: “Cheiro de mato na estrada, / caminho aberto à frente. / Eu corto a triste madrugada, / bandido pensando na fada. / A garoa quase geada / e você parada na mente. / Vejo no retrovisor, / a cidade que deixei. / Uma estrela rasgando o céu, / imagens que sonhei. / Refleti uma flor que caía, / cujo nome nem sei”.
          Seguimos então para Belo Horizonte. De lá iríamos para Curvelo, onde Nelson e eu já tínhamos estado com Nirton Tangerini, meu irmão mais velho.
          Fomos, então, ao bar Maleta, onde almoçamos e passamos a tarde conversando.
          No dia seguinte, Nelson, Roberto e eu resolvemos almoçar no restaurante italiano Brunella, que fica no Alto da Afonso Pena. De lá, seguiríamos para Curvelo, cidade natal do escritor Lúcio Cardoso.
          Do Brunella, avistávamos toda a Capital mineira de cima. E foi nesse clima, inspirado pela paisagem, que Nelson escreveu uma canção intitulada Belo Horizonte, que termina com um refrão de Beto Guedes, um dos rapazes do Clube da Esquina: “Belo Horizonte, teus amores, / teus recantos, teus cantores, / encerras entre serras, / belezas naturais. / Tuas meninas desfilando / à luz sol ou luz de vela, / contagiando os homens no Brunella. /Belo Horror, BH, BH, Belo horror!”
          Comemos e Bebemos. Torramos nosso dinheiro ali. E ficamos um pouco altos.
          Falávamos a respeito de música, sobre a possibilidade de colocarmos arranjos sofisticados em nossas músicas. Andávamos ouvindo 14 Bis. Inclusive, Nelson e eu estivemos com a banda, quando tocaram no teatro Ipanema. E eu comentei que minha tia Dinorah tinha um Stradivarius, um famoso violino.
          Distraído como sempre, Roberto comentou que Stradivarius era um excelente e delicioso vinho.
          O garçom passou perto de nós e nos perguntou se desejávamos algo.
           Imediatamente Roberto pediu um Stradivarius.
           Nelson e eu nos olhamos e achamos graça de tudo aquilo.
           O garçom sumiu. Demorou. E, depois de muito tempo, voltou com a notícia:
          - Amigos, infelizmente a casa não tem este vinho.
          Pagamos a nossa conta no Brunella, descemos a Av. Afonso Pena e fomos para a rodoviária, onde embarcaríamos para Curvelo.
          Como não havia três lugares no ônibus, Nelson foi no ônibus da frente e eu e Roberto fomos no outro ônibus.
          Lá, nossa amiga Marta esperaria por nós.
Nelson Marzullo Tangerini
Enviado por Nelson Marzullo Tangerini em 14/07/2019
Reeditado em 15/07/2019
Código do texto: T6695629
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Nelson Marzullo Tangerini
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 64 anos
310 textos (24129 leituras)
9 e-livros (127 leituras)
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Nelson Marzullo Tangerini