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TEATRO DE REVISTA II

A PRIMEIRA REVISTA DE TANGERINI

Nelson Marzullo Tangerini

          Nada ou pouco sobrou da história do teatro de revista em Niterói, nos anos 1920, auge do legendário Café Paris.  Nestor Tangerini, piracicabano, e Luiz Leitão, poeta satírico niteroiense, escreveram seus nomes na história do teatro da ex-capital  fluminense.
         Em 1925, Tangerini escreveu seu primeiro trabalho teatral, a burleta “Pra cima do coronel”, encenada no palco do Cine Teatro Éden, de Niterói. O gênero “burleta” provém do italiano, “burletta”, e significa uma comédia ligeira. Segundo o dicionário Aurélio, é “originária do século  XVI, menos caricatural que a farsa, e geralmente musicada”.
          Infelizmente, os originais desta burleta, como de outras, como as de Luiz Leitão, ou escritas pelos dois, em parceira, parecem ter se perdido para sempre.
           Em 1929,  Tangerini apresenta, pela Empresa Fluminense Oscar Mangeon, sua segunda peça, sua primeira revista “Bonde Errado”, no palco do Cine-Teatro Eden, de Niterói. Mangeon era um dos parisienses, e era amigo e admirador de Tangerini, por quem nutria grande estima.
            Tangerini e Leitão ainda escreveriam uma revista juntos, em 1935, chamada Tudo Pelo Brasil, encenada no Teatro João Caetano e que foi elogiada por inúmeros jornais cariocas.
            Entre enorme quantidade de textos de Tangerini, foram encontrados, porém, uma considerável quantidade de esquetes de sua segunda revista: alguns foram publicados na revista O Espeto; outros, porém, estão datilografados em folhas soltas, grampeadas,  no formato A4 [já amarelecidas e frágeis], enquanto outros estão num grande caderno, de capa dura, com a letra do próprio autor, que passou a limpo, a partir de 1964, boa parte de seus textos.  Não continuou passando os seus textos para o caderno uma vez que já estava bastante debilitado,  consequência do câncer, que o venceria, em 1966.
             De acordo com Nestor Tangerini, eis alguns quadros de “Bonde Errado” e a relação dos atores: Na outra encarnação – Colônia, escritor – Henrique Bastos; Jardim, contínuo – Carlos Barbosa; Cigana – Antônia Marzullo. Bancando o homem – Libório, marido – Carlos Galvão; Ingrácia, mulher - (o teatrólogo não se lembrava do ator); Lígia, filha – Maria Martins; Vivaldino, genro – Raul Gonçalves. Elegâncias – Petronilho – Carlos Barbosa; Valentino – Henrique Bastos; Dona Boa – Maria Martins; Guarda – contra-regra. No túnel – Ele – Raul Gonçalves; Ela – Maria Martins; Criôlo – comparsa. Ladrão por amor – Lìdia – Antônia Marzullo; Haroldo – Ildefonso Norat; Detetive – Cardoso Galvão. Agora é tarde – 42, o cabo – Carlos Barbosa; 48, soldado raso – Cardoso Galvão; Queixoso – Henrique Bastos. Imaginem – Assaltante – Henrique Bastos; Dona Boa – Maria Martins. Confessando – Padre – Carlos Galvão; Inocêncio – Carlos Barbosa. Um drama – Laura, jovem – Antônia Marzullo; Orlando, amante de Laura – Carlos Barbosa; Hoteleiro – Cardoso Galvão. Salve a lua! – Ele – Ildefonso Norat; Ela – Maria Martins. O mar também tem mulher – Orlando – Henrique Bastos; Laura – Antônia Marzullo. Parque dos amores – Jardim, contínuo – Carlos Barbosa; Ta-borda, português – Henrique Bastos; Helena – Antônia Marzullo; Jardineiro – contra-regra.
             Em 1937, já morando no Rio, Nestor Tangerini vai ao Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, para assistir a um espetáculo da  atriz Antônia Marzullo [*13 de junho de 1994 – + 25 de agosto de 1969], sua amiga, que trabalhava na Companhia Teatral de Alda Garrido com suas duas filhas, Dinah e Dinorah Marzullo. Tangerini gostou de Dinah, deixando para trás um relacionamento com uma vedete do teatro de revista. Passou a enviar bombons e poesias para a jovem atriz. E a partir de um retrato dela, desenhou-a em crayon, numa cartolina. Apaixonaram-se. E casaram-se no mesmo ano. Ele tinha 40 anos, era um solteirão invicto; ela,  19. Alguns familiares ainda tentaram demovê-lo da ideia, uma vez que a diferença de idade entre os dois era enorme. Ignoraram todos os conselhos e formaram uma família.
               Conversando, certa vez, com Marília e Sandra Pêra, minhas primas, disse-lhes que devemos tudo ao teatro: a mãe delas, a atriz Dinorah Marzullo, também conheceu o grande ator Manoel Pêra no teatro. Apaixonaram-se. Casaram-se. E Marília e Sandra deram prosseguimento ao sonho da vovó Antônia.
              Quanto a Ildefonso Norat, o talentoso ator, cantor e compositor voltaria a trabalhar com Nestor Tangerini, logo após a mudança do teatrólogo, de Niterói para o Rio:  na revista  “Ganhando Tempo...”, sucesso no Teatro Recreio, em cuja peça  Oscarito [pseudônimo de Oscar Lorenzo Jacinto de la Inmaculada Concepción Teresa Díaz], que trazia consigo a experiência do circo, era a estrela  principal. Para a referida  revista, Tangerini e Norat escreveram o Samba da Meia-Noite, estrondoso naquele ano, na voz de Dina Marques.
Nelson Marzullo Tangerini
Enviado por Nelson Marzullo Tangerini em 29/07/2019
Reeditado em 30/07/2019
Código do texto: T6707716
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Sobre o autor
Nelson Marzullo Tangerini
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 64 anos
310 textos (23957 leituras)
9 e-livros (126 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/09/19 17:12)
Nelson Marzullo Tangerini