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ONZE DE SETEMBRO: O GALO DE ASCLÉPIO

O GALO DE ASCLÉPIO
Asclépio, o deus da medicina e da cura, ficou famoso nas palavras de Sócrates, por solicitar que após a sua morte, lhe fosse consagrado um galo. Asclépio, para os gregos, ou Esculápio para os romanos, aprendeu o poder curativo das ervas e da cirurgia e adquiriu tão grande habilidade que podia trazer os mortos de volta à vida, pelo que Zeus o puniu, matando-o com um raio. Um raio como o que atingiu nossa civilização em 2001, lembrando ao Estados Unidos que nada fica impune.
Como se fosse hoje, pensou. Era um dia preguiçoso, daqueles que faz um vazio se infiltrar na alma e perdermos a noção do que havíamos programado. Ficara em casa, procrastinando seus afazeres, e agora não havia sentido algum sair correndo na vã tentativa de recuperar o tempo perdido. Resolveu que o melhor seria continuar com aquele torpor que nos invade quando ficamos sem fazer nada. O nada ocupa os espaços e é próprio dos homens, ao contrário das mulheres, ficar estático, com a mente vazia, olhos abertos sem enxergar, ouvidos sem ouvir, e assim por diante. Televisão ligada à sua frente, e ele nem imaginava o que havia sido transmitido. Ao longe um ruído, que logo se transformou em campainha, e, insistente, fez com aquela saísse da letargia e bruscamente atendesse ao chamado. Sua cunhada, com voz preocupada: “-Você viu o avião que bateu em um prédio lá em Nova York?”.  O relógio apontava 14 horas. “Ainda?”, pensou. Lentamente foi se reencontrando, tomando consciência de onde estava e o que ia fazer. Havia almoçado mais cedo do que de costume, e seu período de devaneio não passara de uns 45 minutos. Lembrou então que vira cenas de um edifício envolto em fumaça, repórteres agitados, pessoas correndo por ruas dentro de uma névoa espessa.  Voltou à frente da televisão, sintonizou um canal especializado em coberturas ao vivo, e tomou consciência do que havia acontecido. As duas torres do World Trade Center, as torres gêmeas, haviam sido atingidas por dois grandes aviões de passageiros. Ainda deu tempo de ver o desmoronamento da segunda torre ao vivo. Voltou a ficar entorpecido, extasiado, com o que estava vendo. Como em um filme jamais concebido, um, ou dois, dos maiores símbolos da pujante economia americana, por conseguinte do capitalismo, haviam se transformado em montanhas de entulho, ferros retorcidos e corpos dilacerados. Como complemento, outro avião havia se direcionado ao Pentágono, instalação de todas as forças armadas americanas, quartel general do poderio bélico da mais avançada nação do mundo. Um quarto avião, destinado a se chocar com o Capitólio, não cumprira seu intento graças aos passageiros, que impediram a ação dos terroristas e morreram na queda da aeronave. O coração o do império foi atingido e isso criava as mais diversas interrogações e expectativas. Antes de tudo: como? Como falhara a segurança mais organizada do mundo ocidental, que permitira ocorrer um desastre imenso? Como ruíram as duas torres com suas estruturas em aço, sem sobrar nada em pé?  Como o mundo ficará após um acontecimento desses? A data: onze de setembro de dois mil e um, o tristemente lembrado 11/09/2001. Hoje, exatamente hoje, completam-se dezoito anos desse evento que, ideologias à parte, serviu de alerta para a comunidade mundial e lembrar que «algo vai mal no reino da Dinamarca» como diz Hamlet, nas palavras de Shakespeare, fazendo alusão à corrupção, à traição, ao incesto, à vingança e aos assassínios que ocorrem no reino. Mais que todas essas mazelas humanas, o atentado às Torres Gêmeas, foi o grito da civilização islâmica radical, fazendo ver que sempre haverá pontos vulneráveis em qualquer nação, por mais segura que seja. e, acima de tudo, fazer ver que falta muito para o ser humano conviver pacificamente com as diferenças. E, lembrando-se do dia que sempre permanecerá na História, voltou a olhar em volta, sua casa era a mesma, tudo estava nos lugares de sempre. Respirou, aliviado, e saiu para fazer o que ainda era possível e não perder o dia inteiro.
Paulo Miorim 11/09/2019
Paulo Miorim
Enviado por Paulo Miorim em 11/09/2019
Código do texto: T6742672
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Sobre o autor
Paulo Miorim
Santos - São Paulo - Brasil
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