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Não sei se rio, ou choro

O raiar de um novo dia, fora acompanhado de uma tênue chuva, encharcando toda terra. Os pássaros, de forma tímida, começavam a surgir. Somente ao despertar, tomei conhecimento, que o polegar direito do meu pé estava roxo e muito inchado.  
O que preciso fazer para evitar essa surpresa, tão incômoda? Durante a madrugada, acordei com uma lancinante dor, é desagradável demais. Tinha tempo que isso não acontecia, agora em pouco tempo, já ocorrera duas vezes. É bem provável que eu estava sonhando, e com certeza deveria estar passando um sufoco, quando de repente, certifiquei que havia chutado a parede. Ah como doía o meu dedão, não sabia se ria ou se chorava.
Se essa moda pegar, estarei lascado. Estou parecendo o senhor Dias, que de tanto chutar a sua companheira, enquanto sonhava, foi expulso para o outro quarto. Agora por precaução, tem que se contentar, dormir numa cama de solteiro.
Lá estava ele cantando, antigamente dava suas escapadelas, em compensação agora, amanhece e anoitece na sua mangueira. Tenho a impressão, que sempre que ouve a minha voz, começa a exibir o seu canto. Fui logo, preparando o seu lanche, levando-lhe um pãozinho. Já até batizei meu querido sabiá, colocando-lhe o nome de Teacher.
Esvaindo vai o dia, o crepúsculo se aproxima, e a garoa continua. Esse tempinho é tudo de bom. Aproveito para colher acerolas, já estava sentindo falta dessa terapia. Parece que o pé cansou de produzir, dando uma pausa, por um certo período.
Não sei por que, mas esse tempinho, exerce uma atração sobre mim, a vontade é de ficar só na cama. E sem nenhuma resistência, acabo cedendo a vontade do corpo. Essa época, é muito boa para reflexão.
Ultimamente tenho perdido o entusiasmo, para ficar em frente à televisão, só ladroagem, morte e corrupção. Não sei se estou equivocado, quanto mais o tempo vai passando, mais e mais o amor vai diminuindo. Paciência e tolerância, são palavras que há muito tempo desapareceu dos dicionários, tudo agora se resolve na pistola.
Um dia desse, estava vendo uma reportagem, achei o cúmulo da intolerância: Um caminhoneiro jovem, casado, 33 anos, todo dia ligava seu caminhão, e deixava uns dez minutos ligado, para aquecer o motor, e logo em seguida ia trabalhar. O vizinho de 63 anos, inconformado com a fumaça que chegava até a sua casa, simplesmente matou o caminhoneiro, dando-lhe três tiros.
Achei isso muito ridículo, um absurdo. O respeito já não existe mais, o temor muito menos, por onde andas o amor?
 

 
Simplesmente Gilson
Enviado por Simplesmente Gilson em 30/09/2019
Código do texto: T6757797
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Simplesmente Gilson
Mucuri - Bahia - Brasil, 56 anos
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