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POR FAVOR, DEIXE-ME VIVER!

   Caminhando a calmos passos, aleatoriamente, como que perdido,
      [na manhã que se desperta
 Ah! Não há nada melhor que andar sem destino traçado e certo!
  Nesta cidade a que logo s'explodirá em suas rotinas e neuroses
    Aquela que a mim despirá de minha bermuda e camiseta d'agora
      E me vestirá com a farda dos infelizes:
   Ai! Este maldito terno e gravata... sapatos... jalecos... crachás...!
       Ou mesmo, o uniforme dos assalariados operários
   (Que mais se parece com as vestimentas dos presidiários!)

  Porém, enquanto não se chega o momento, eis que me escuto
    O que também nest'hora minh'alma diz e comigo dialoga
      (Pelo menos naquele instante!)
 Daquela que sempr'está junto a mim embora não a perceba:
        A viva e teimos'alma!

     Perder-me no viver... a condição de m'estar vivo
   Ved'então o qu'eu faço... sempre... (bem como todos)

    Que é, pois a felicidade onde parece que nunca a saberemos?
  Nest'exílio a que se corta entre flagelos e tormentas
     A levar-nos para a Morte qual o boi ao seu matadouro!
       Ah! Melhor deixar... para lá!
   Caso eu prossiga, pode ser qu'eu venha a fazer
    [alg'uma besteria aqui agora!
      Oh, não! Como diz um amigo meu:
        "Tá amarrado... em nome de Jesus!"

      E destarte sigo-me então a meditar:
 Quanto eu gasto em necessidades?
   E quanto gasto em vaidades... bobagens... futilidades?
  A optar-me, agora, por uma Coca-Cola ou mesmo uma cerveja,
      [quando a sede me invade... a um simples copo d’água!
  Mas, seria suportável o viver neste tempo sem nenhuma trivialidade?
     (ao qu'eu não creio!)

 Poderia um peixe sobreviver num aquário de refrigerantes ou de licores?
   Mas, acaso eu sou um peixe
     [a qu'estaria afogado numa piscina com tais líquidos?

      Oh! Pelo amor de Deus!
  Já estou farto dessas baboseiras de psicólogos da TV e da mídia global
   Já estou de "saco cheio" de tantos fanáticos de suas igrejas
      Deste povo que me diz o qu'eu devo sempre fazer
  (Para o bem de meu corpo... e minh'alma!)
     A, igualmente, me proibir de viver... e ser feliz!
 A de me tentar convencer qu'é pecado se ter aqui... algum prazer
 Gente hipócrita... nojenta... sabichões de tudo... "malas-sem alça"!

  A me dizer que s'eu não gastasse tanto meu dinheiro em bobagens
  [certamente, qu'eu seria rico... milionário.. (ou sei lá mais o quê!)
    E, portanto, deveras! seria opulento (para não dizer... avarento)
      A beber todos os dias somente água de bica
  Enquanto contemplo meus amigos felizes nos bares
    [a beber cerveja e Coca-Cola
       Ou a imaginá-los n'uma boite, acomodados em suas mesas
   [a contemplarem lindas dançarinas seminuas à sua frente!
       (E bebendo whisky, é claro!
    Oh! coitados! Qu'estão fazendo com suas vidas?
         Tenho tanta pena deles!!!)


                          **************************

                                08 de outubro de 2019

Paulo da Cruz
Enviado por Paulo da Cruz em 08/10/2019
Reeditado em 08/10/2019
Código do texto: T6764077
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo da Cruz
Curvelo - Minas Gerais - Brasil
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Paulo da Cruz