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Perturbação pessoal - o texto é bem longo

          O gênero crônica é menos rígido que os demais, mas nem por isso ele deve ser mal redigido. Todavia confesso que numa crônica eu posso simplesmente "dar de ombros" para qualquer tecnicidade excessiva.

          Antes de mais nada, CRÔNICA NÃO QUER DIZER TEXTO MAL FEITO OU DESPROVIDO DE BELEZA. Estudo Letras pela Universidade Cruzeiro do Sul (o que não me faz nem melhor ou pior de quem não estudou ou já tem doutorado) e minhas professoras de teoria da Literatura já há muito explicaram que a crônica é tão literatura quanto qualquer outro gênero ou estilo. A diferença é que não preciso ser tão linear ou estético. É um texto mais livre.

          Conheço aqui no Recanto das Letras cronistas EXCELENTES, dos quais destaco sem pestanejar LOBO DO CERRADO  (o melhor que conheço sem puxação de saco), JULIANA MONTENEGRO, JOTA GARCIA, CREUSA LIMA, HICS e outros tantos que se não citei não foi por ter menos importância que os mencionados acima. Apenas pela minha memória que é tão lúcida quanto bêbado diante do poste de luz dizendo que vê anjo em árvore.

          Minha questão é que: de uns tempos pra cá, conforme algumas coisas me acontecem, decidi fazer algo que eu nunca tinha feito e que, após minha participação no CLTS - 08 com o conto O SILÊNCIO DA CASA, ter alcançado o segundo lugar logo na estréia (perdendo por um ÚNICO PONTO, mas isso é OUTRA Éstória), e tendo o meu conto ADOTADO POR UMA NOITE gravado no youtube pelo canal Conto Um Conto, criei o hábito que eu já deveria ter criado: ESCREVER, ESPERAR, RELER, REESCREVER, REESCREVER DE NOVO, E DE NOVO, pra só assim PUBLICAR.

          Antes eu só escrevia poesias, mas me apaixonei pelo gênero CONTO e de vez em quando acabo postando uma série em vários capítulos. Embora por motivos que não convém expor aqui eu tenha excluído quase TODOS os contos que eu publiquei, ainda deixei alguma coisa. Porém minha nova série de Realismo Mágico CAIXA DE FÓSFOROS, tem recebido total atenção para dar meu melhor em cima daquilo, por incrível que pareça, tem tido menos leituras (visualizações)  e mais leitores (vejo pelos comentários de amigos/amigas que tem dedicado uma fração do seu tempo corrido para, com atenção e carinho, prestigiar esse que vos escreve).

          E isso ao mesmo tempo que me ALEGRA DEMAIS, me PRESSIONA EXCESSIVAMENTE.

          Antes de mais nada, é fácil reconhecer quando uma pessoa só comenta por comentar. Já ando meio treinado com esse tipo de gente. Sucesso pra eles. Mas distância.

          Vale ressaltar (agora tá parecendo redação do ENEM kkkk) que aqueles que me lêem são INFINITAMENTE MELHORES que eu. Se elogiam, o fazem por carinho e incentivo. Não fingirei humildade, mas reconheço o carinho (e repito mesmo) desses e os quero tão perto de mim quando puder. Não apenas por me lerem, mas por serem tão amáveis em suas visitas LENDO DE VERDADE. Todos já lemos a bula de remédio. LER DE VERDADE requer atenção aos detalhes, paciência, e sobretudo, desejo voluntário. Não forçado.

          Voltando ao ponto; João Cabral de Melo Neto dizia que o poeta, quando vai compor poesia, é como um engenheiro. Ele, um esteta por excelência, escreveu um poema chamado CATAR FEIJÃO  e dizia que assim como se cata feijão, o poeta cata palavras. Mas não pode ser qualquer uma. E esse processo demora. Dá trabalho. Porém o resultado é mais que satisfatório, assim quando se come um bom feijão (amo feijão).

          Se você leu até aqui, Jesus lhe ama. E eu também. Muito grato pela paciência kkkkk. Se quiser ler mais um pouquinho, obrigado mais ainda. Calma que tá quase no fim.

          Creio que você já sabe onde quero chegar.

          Gustave Flaubert, em suas Cartas Exemplares, às vezes passava HORAS em sua escrivaninha para escrever UMA PÁGINA. Eu disse UMA PÁGINA! Madame Bovary que o diga.

          George Orwell (acho que é assim que se escreve) disse que a pior profissão que ele poderia escolher é a de escritor. Sofria demais com isso.

          Edgar Allan Poe dizia em sua Filosofia da Composição que se dependesse apenas da inspiração pra escrever, não seria nunca quem foi. Mas ao receber a inspiração, aplicava todas as regras lógicas e técnicas que sabia, criando até um termo chamado UNIDADE DE TOM e UNIDADE DE EFEITO que eu tô com uma preguiça lazarenta pra dizer o que é.

          E antes que eu fale, NUNCA, repito, NUNCA, EM MOMENTO ALGUM, PRA SER ESCRITOR, é necessário curso, faculdade, ou qualquer outra coisa possível. Basta apenas escrever.

          Só que aqui que muitos pecam. Escrever apenas não basta. Tem que ter TOQUE. SENSIBILIDADE. PRECISÃO. VISÃO. E aí que entra a diferença entre um bom texto e texto comum.

          Não estou falando de gosto ou preferência. Mas de fazer algo bom. De verdade.

          Tenho um grupo de recantistas que leio frequentemente e tenho quase certeza que se você ler um deles perceberá que são de ótimos pra cima. E eles são muito bons no que fazem e seus textos me levam facilmente a REFLEXÃO, ao RISO, às LÁGRIMAS e até a ME INSPIRAR a escrever.

          Por que isso? Porque deram o melhor de si.

          E num tipo de "ciúme bom", decidi dar o meu melhor também e desenvolver um senso crítico mais sério apenas comigo mesmo.

          Tá. Eu sei. Ficou muito grande. Pera ae. Já já acaba.

          Sendo assim, eu tenho ficado extremamente feliz com o resultado da série CAIXA DE FÓSFOROS, pois ela tem sido pautada em escrever episódio com no máximo 1500 palavras (geralmente 1000 é o foco inicial), num enredo rápido e quando posso citar o maior número de referências bíblicas e literárias que me lembro.

          Porém, isso tem me angustiado tanto, mas tanto, que já pensei em desistir dela e chutar o pau da barraca.

          Sei que ninguém perguntou, mas eu mesmo respondo. Meu processo criativo funciona assim:

          Primeiro: Eu escrevo. Sem parar. O que me vem no coração e na mente eu coloco no bloco de notas no celular. As vezes corrijo um ou outro erro de português. Troco referência. Mudo uma cena. Acrescento outra. Um diálogo mais natural aqui e ali. Pimba! Pronto!

          Quando termino, me sinto o Leonardo Da Vinci Cinco de Março quando acabou de pintar a Monalisa. "Olha que obra-prima eu fiz. Eu sou um Jênio".

          Depois... esqueço o texto.

           Espero um dia ou dois (as vezes mais) pra esquecer a idéia do que escrevi. Para me desapegar um pouco do que escrevi. Às vezes estamos tão apegados ao texto inicial que deixamos muita coisa ruim passar. E quando digo muita, falo especialmente de mim.

          Depois desses dias, volto pro texto. Leio a primeira linha e digo: "MISERICÓRDIA! QUEM ESCREVEU ESSA COISA HORRÍVEL?" E a partir daí começo a corrigir.

          Corto aqui. Corto ali. Mudo aqui. Mudo ali. Viro um jardineiro podando uma planta carnívora.

          Já teve dia que perdi o sono fazendo isso. Das 1h da madrugada até as 5h da manhã. E isso apenas cortando palavras. Certas palavras (João Cabral de Melo Neto outra vez) tem mais força que outras. Sinônimos, frases, interjeições... eu já li um poema lindo que por causa de uma ÚNICA palavra quese repetia no poema a experiência de ler aquilo passou de boa para... só de lembrar dá medo.

          Após isso, dependendo do resultado, releio outra vez, e vejo que ainda tem coisa pra arrumar. Desisto e deixo pra outro dia. Espero mais alguns dias se necessário.

          Então, volto ao texto, e como um amolar de faca ou alicate tento deixar ele o mais redondo possível. E só assim o publico. Pra que ele realmente não tenha ERRO NENHUM!

          E é por causa disso que escolhi a crônica. Pois aqui eu não preciso me preocupar tanto assim. Posso ser mais livre, mais eu.

          Confesso nessas muitas linhas que sei que estão excessivamente grande que estou excessivamente cansado com essa luta com as palavras. Escrever não é fácil. Realmente não é. E só descobri isso depois da CAIXA DE FÓSFOROS.

           E nisso, minhas leituras estão meio atrasadas (os livros que tenho na instante). Só o fato de pensar que ainda falta alguns capítulos pra terminar a série me dói o coração, pois é mais uma tortura. E não tô brincando.

          O sétimo capítulo da CAIXA DE FÓSFOROS deu tanto trabalho que só Deus sabe. Por causa de um simples detalhe: como vou escrever sobre algo que NUNCA ACONTECEU COMIGO. Não tenho a mínima noção do que é o mar ou uma praia pessoalmente, pois NUNCA na minha vida fui à praia ou vi o mar.

          E por incrível que pareça foi o capítulo mais elogiado até agora. Só Deus pra fazer isso.

          A história queima no meu coração e já tenho o final em mente. Em breve postarei tudo.

          Por que escrevi essa crônica?

          Para compartilhar um pouco de que tenho passado para publicá-la. Isso não é uma regra pra ninguém. Apenas pra mim.

          Agradecer de todo o meu coração aos amigos escritores que tem disponibilizado do seu precioso tempo para me ler. No final posto seus nomes.

          E esclarecer que caso o oitavo capítulo demore, não é por perfeccionismo ou desleixo, mas estou numa fase muito corrida da minha vida (época de provas na faculdade, o desemprego que lateja, entre outras coisas que direi mais tarde. Ou não).

          Desde já, meu muito obrigado à:
WALLACE AMORIM
LOBO DO CERRADO
JULIANA MONTENEGRO
POETATARDIO
BATISTA ANDRADE
CREUSA LIMA
CRISTINA GASPAR
JOTA GARCIA
WALDRYANO
NICK (da minha igreja)
IRMÃ NEIDINHA (da minha igreja)
THAIS PEREIRA DE MOURA (da minha igreja)
MARIA TEREZA BODEMER
FRANCISCO DE ASSIS GÓIS
ADÔNIS

E a todos que tem acompanhado a série. É por vocês que tenho dado meu melhor.
Deus vos abençoe poderosamente em todas as áreas das vossas vidas.

          Essa crônica apenas amigos lerão. Muito obrigado.
Leandro Severo II
Enviado por Leandro Severo II em 25/10/2019
Reeditado em 31/10/2019
Código do texto: T6779130
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Sobre o autor
Leandro Severo II
São Paulo - São Paulo - Brasil, 26 anos
80 textos (3844 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/19 09:25)
Leandro Severo II