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A VENDEDORA AMBULANTE



No bairro onde eu moro, quase não tem edifícios e por isso, pelas casas térreas, tem muita gente vendendo de tudo no nosso portão:
Cadeiras, cestas básicas, gás, quitandas, panelas, tapetes, enxoval de casa, sacos de lixo daqueles grandes e mais um sem tanto de mercadorias...

Hoje tocaram a minha campainha e quando saí na porta, era uma mocinha com ar abatido (devia estar cansada e com fome, era meio-dia), oferecendo um pequeno presépio de papel machè, com base de madeira.

Pedia R$ 50,00 no conjunto.
Eu quase fiquei com um, mas um detalhe me demoveu da ideia: era composto por Maria, José, a manjedoura com o Menino Jesus, uma vaquinha magra e dois burricos, com a estrela guia estampada no alto do estábulo.
Achei poucos animaizinhos, não tinha nenhum carneirinho para representar aconchego.

Falei isso para a moça.
Ela me disse que haviam comido o carneiro no jantar e que o fato de haver dois burricos, é que um era de José e o outro do dono da propriedade.

Eu de pronto pensei que aquela conversa renderia se eu esticasse trela.
Dei-lhe R$ 20,00 como um presente de natal, incentivando, mas não quis comprar o presépio, mesmo porque, eu não dispunha desse dinheiro em casa.
Ene Ribeiro
Enviado por Ene Ribeiro em 03/12/2019
Código do texto: T6809962
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Ene Ribeiro
Goiânia - Goiás - Brasil, 57 anos
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Ene Ribeiro

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