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Ninguém quer ser lixeiro, né? (14/01/2020)

Lixo não é apenas algo que se joga fora. Lixo é educação, é saúde, é política pública. Merece ser discutido com respeito em qualquer tempo. Inclusive e, principalmente, no gabinete do prefeito, onde também há lixo. Afinal, o lixo que está na rua, é o mesmo que está em casa; e aquele que a vassoura varre, é o mesmo que está em nós.

O que a gente descarta, despreza, ignora, as nossas insignificâncias... - Transformam-se em dignidade. Profissionais Garis precisam ter seus diretos preservados, não ignorados. Lixo é comida na mesa...

- A profissão de Gari é invisível, insalubre e de esforço. Nas relações de trabalho, objeto de preconceito – Ninguém quer ser lixeiro, né?. Mas, não esqueçamos que ele é que abre caminho para que não tropecemos no que produzimos. E, senão por eles, haveria em nós moscas varejeiras a sobrevoar-nos o dia inteiro. Pior: somos lixões ambulantes.

A função do gari é dar destino final ao que sobejamos... - O que não nos serve mais, vira: quinquilharia, objeto inútil, estorvo... – Para que nos sobre espaço, para mais futilidades. Na dinâmica da urbe, é responsável por varrer ruas, praças, parques, dentre outros locais públicos. Cidade limpa, cidadãos educados. Por isso, indispensável.

Outrora apelidado de barnabé é, literalmente, servidor. Já foi marchinha de carnaval, por ser típico desse gênero musical, tratar com alegria temas ásperos e adversos.

Barnabé, o funcionário
(Haroldo Barbosa e Antonio Almeida)

Quadro extranumerário
Ganha só o necessário
Pro cigarro e pro café
Quando acaba seu dinheiro
Sempre apela pro bicheiro
Pega o grupo do carneiro
Já desfaz do jacaré
O dinheiro adiantado
Todo mês é descontado
Vive sempre pendurado
Não sai desse tereré
Todo mundo fala fala
Do salário do operário
Ninguém lembra o solitário
Funcionário Barnabé
Ai Ai Barnabé
Ai Ai funcionário letra É
Ai Ai Barnabé
Todo mundo anda de bonde
Só você é que anda a pé…

A indiferença só contribui para que os coletores, que já convivem com sofrimentos psíquicos, como a vergonha e a humilhação, sintam-se indignos no exercício da profissão. - E não é demais lembrar que, doutores ou não, necessitamos uns dos outros.
Misael Nobrega
Enviado por Misael Nobrega em 14/01/2020
Reeditado em 14/01/2020
Código do texto: T6842057
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Sobre o autor
Misael Nobrega
João Pessoa - Paraíba - Brasil
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Misael Nobrega