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Saudades

            Saudades

            O grande desafio hoje é falar sobre a honestidade e solidariedade. Na verdade o retrato da sociedade de hoje apresenta enorme diferença daquela de vinte anos atrás, da qual poderíamos até classificar como período da inocência, tamanha a disparidade. Olha que não faz tanto tempo! Estamos falando da década de oitenta, precisamente o final dessa.
Como é bom lembrar-se das discotecas,  do Cazuza e tantos outros grupos de rock, pagodes e ainda os sambas de fundo de quintal, tudo era tão familiar que ficava até difícil de criticar. Aquele rock tão sem violência, os namoros, onde a excitação maior, a mais comum, era porque o jovem tinha colocado as mãos nos seios jovialmente redondos, como um limão, um broto ainda, com a ponta ligeiramente arrebitada, dando sinal de correspondência às carícias e mesmo assim os pobres inocentes nem percebiam. Os rapazes de tudo que faziam, na maioria das vezes eram sem remover as vestes. A inexpressível  minoria daqueles que conseguiam levantar as saias, furtivamente pelas penumbras, que era equivalente a um assalto a banco, mas também era de um prazer inigualável arrancando sussurros em ambos. Dali era quase que inevitável o casamento apaixonado, com choros das mães e festas dos amigos.
As conversas não eram diferentes, sempre recheadas de assunto sobre futebol e mulheres, às vezes alguém arriscava falar de política, da qual por incrível que pareça o principal ponto de comentário não era corrupção e sim forma de governo, na época transição da ditadura para democracia. Por outro lado, as mulheres não mudavam o seu repertório, sempre falando de roupas e uma das outras; e sobre os homens? Bem, homem era só um detalhe, uma vaidade, uma massagem no ego, um flerte, um motivo para esnobar a concorrente, enfim uma visão diferenciada. Não gostavam de se igualar ao homem nas práticas de farras e conquistas. Bar nem pensar, isso era coisa para prostitutas.
Existia também, como não poderia deixar de ser, o grupo dos marginais. Era diferente dos que vemos hoje. Não eram tão isolados e até mesmo nutriam certo respeito nas ruas próximas às favelas, porque não dizer no bairro em que viviam? Mantinham um código de honra entre si e para com os moradores, eram solidários também entre si e com os menos favorecidos pelo sistema dos governos Federal, Estadual e Municipal. O interessante é que todos estes códigos de civilização acabaram-se e os atuais marginais, juntamente com os policiais, barbarizaram a nossa rua, nosso bairro, nossa cidade, nosso país.
Os códigos eram estabelecidos, também,  em todas as classes da sociedade, em especial, nos bairros pobres, os chamados suburbanos, que viravam uma enorme família, um cuidado do outro como verdadeiro irmão. Meios de defesa criados pelas classes desfavorecidas. Agora temos inimigos por todo lado, um querendo devorar o outro.
  Os pais eram cheios de seriedades e entre si mantinham, também, aspectos em comum, estando prontos para se ajudarem na proteção e na educação dos filhos, promovendo muitas vezes casamentos entre suas famílias. A vida de fé não atrapalhava a amizade. É claro que tinha as pregações e os convites, nada que ofendesse. Os pastores e padres eram homens respeitados e de referência. Os professores tinham ótimos salários e respeitados por todos, nunca questionados nas técnicas aplicadas, pois tudo era para o bem das crianças.
Que pena! Que tristeza! Onde está a ordem? O que foi feito dos pastores, dos padres, dos professores? Onde está a união das famílias? Não seria a hora de um socialismo? Cristo era socialista. Vamos voltar a ser uma colônia? Qual é o futuro deste país? Oxalá consigamos encontrar o caminho do amor, da união, da paz, da educação. Viva a Esperança!
Jair de Oliveira
Enviado por Jair de Oliveira em 11/10/2007
Código do texto: T689460

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Sobre o autor
Jair de Oliveira
Corumbá - Mato Grosso do Sul - Brasil, 57 anos
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Jair de Oliveira