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Abandono



Assisti com muita dó ao abandono da menina Xue, por seu pai, o chinês Qian Xun, em uma estação ferroviária australiana em Melbourne. Estarrecido, vi as cenas gravadas pelas câmeras da estação, quando o desalmado abandonou-a e evadiu-se do local. Voou atrás dos dólares da América rica do Norte.
Não consigo depreender dessa  postura cínica que essa alma engendrou e pôs em prática, absolutamente nada  de bom. Não é possível que o coração desse chinês seja de fato de carne humana e que abrigue Deus dentro de si. Até os monstros se preocupam com suas crias.
Qian Xun parece não ter evoluído como os demais de sua espécie. Trogloditou e permaneceu lá no comecinho de sua evolução. De pai ele nada aprendeu com os seus.
E foi da mesma China, sua pátria, que nos chegou a consolação, para diluir  a força da maldade que ele fez: a avó paterna da criança virá resgatá-la parcialmente do abandono a que  foi jogada. A menor Xue crescerá entre seus familiares, o que certamente aliviará as máculas que esse episódio lhe porá para sempre!
Como há aridez no coração do homem e inocência noutros, representados pela criança que ainda principia a sua aprendizagem e ao lado de quem? Do pai! Fatos imorais como esse, fazem-nos pensar acerca da filosofia da amizade e o peso que os nossos erros maiores, como se enquadra muito bem o desse chinês perverso, podem interferir negativamente!
Pois, saiba quem quiser sabê-lo que quem beijar a alma dos meus filhos sentirá por certo o perfume da minha e o sabor do meu coração de pai.
As práticas humanas não poderão jamais diluir o convívio social. Viver é uma arte que carece de exercício diário para o seu aperfeiçoamento. O amor e a vida andam de mãos dadas. O abandono é uma das mais cruéis formas de matar-se corações. Não há perdão que não se demore a dar-se em relação a pecados tão ingratos quanto o cometido pelo chinês Qian Xun. Demora-se a dar. É necessário abrirmos o coração dez vezes e repensarmos até a nossa origem biológica.
Cheguei a pensar que a alma desse antipai deva habitar o mais apodrecido pântano do desamor; e deve ser deste que ele  retira suas práticas cotidianas.
A pequena Xue irá embrenhar-se entre bilhões de irmãos chineses. Tomara que sua alma reencontre o prazer  de viver-se em família e que esse abandono de que foi vítima, passe com o vento do tempo e não lhe despetale as flores do coração. Daqui, envio-lhe o meu carinho saudoso de pai e amigo de sua almazinha criança que talvez nunca encontre o meu olhar físico, mas, certamente, encontrará o de minha alma a rezar pela sua. Xue, para mim, filha, você será sempre um reencontro de vida e jamais, uma triste imagem de abandono. Gostaria imensamente de oferecer-lhe o meu colo paterno. Quem sabe algum dia? O Deus que habita em minha alma quer beijar o que habita a sua. De sua mãezinha já está cuidando Jesus!


Paulino Vergetti Neto
Enviado por Paulino Vergetti Neto em 13/10/2007
Código do texto: T692272
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulino Vergetti Neto
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 60 anos
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Paulino Vergetti Neto