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A MORTE ANDA BEM VIVA NO RECIFE




Pelo menos na cabeça da platéia e dos poetas que participaram da 2ª Recitata do Recife, realizada em três etapas, sendo duas classificatórias (18/08 e 25/08) e a finalíssima (26/08), na Praça do Arsenal, Marco Zero da Veneza Brasileira. O Certame acontece dentro da programação do Festival de Literatura do Recife, que já está em sua 5ª edição.
A Recitata vem se firmando como um dos maiores concursos do gênero, no país,  e atraiu com a sua premiação de 6 mil reais,  a participação de 85 poetas dos estados do Pernambuco, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Norte, sendo a maioria dos participantes, poetas pernambucanos.
           O colorido das indumentárias dos poetas performáticos deu o tom do recital, mas foi o preto e branco e o prateado da foice da Morte, a insuspeitável surpresa da Recitata. Ilustre desconhecido, eu,  poeta potiguar , saí de minha cidade natal, Santa Cruz-RN, para ficar entre os 5 primeiros de uma das etapas de classificação, no Mercado da Boa Vista, curiosamente situado na rua Santa Cruz. Na finalíssima, enfrentei outros nove concorrentes, entre violeiros, poetas cordelistas, duplas de declamadores, e outras figuras da variada fauna poética pernambucana. O júri foi escolhido entre escritores, poetas e populares presentes na Praça do Arsenal, onde aconteceu a disputa final.
         Com uma performance que incluiu 5 poemas do meu livro “Viagens ao Além-Túmulo, urdindo uma poesia na outra, recitei durante quase 4 minutos para uma platéia atônita e silenciosa, versos como: “Fui ao cemitério/ no dia do finado mistério/ e lá encontrei os vivos/ chorando os seus mortos./ Eu, porém, chorei os vivos,/ porque eram todos vivos-mortos/ esperando uma passagem/ para a eterna viagem/ dos mortos-vivos/ dos vivos-mortos”.  Dispensei o microfone,  dando ainda mais força interpretativa ao recital. Com a foice e  voz afiadas, envolvi a platéia, interagi com ela, para no fim, colher o aplauso espontâneo e os cumprimentos dos que assistiram à apresentação. Terminadas as performances poéticas, a expectativa foi grande em torno do resultado final.
Coube à poetisa Cida Pedrosa apresentar o terceiro lugar, que ficou com a dupla do Vale do Pajeú, Luciana Rabeo e Anaíra Mahin. Sentado no meio-fio da praça, ao lado do poeta Malungo e do amigo Leonardo Chaves, a morte ouviu um poeta francês anunciar: Marcus Bezerrá, 2º lugar. Não pude conter a alegria, e aclamado pelo público com uma calorosa salva de palmas, subi ao palco para agradecer . O primeiro lugar foi para o poeta radicado no Recife, Altair Leal.
Agradeci á hospitalidade do poeta Malungo, que me recepcionou no Recife; agradeci a organização do evento e brindei a platéia com o poema PENDÃO,  dedicando-o ao poeta Manuel Bandeira, e que integrará o meu segundo livro, “Imarginário”, a ser lançado ainda este ano. Por fim, depois de muitos escambos literários com outros poetas e escritores, vendi os últimos 30 livros da edição pocket de meu livro de poesias e regressei mais vivo do que nunca, de carona com o poeta Chico Alves, para a bela e inspiradora cidade do Sol.  
Marcos Cavalcanti
Enviado por Marcos Cavalcanti em 15/10/2007
Código do texto: T695065

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Sobre o autor
Marcos Cavalcanti
Santa Cruz - Rio Grande do Norte - Brasil, 44 anos
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Marcos Cavalcanti