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Horas vazias


     Desde aquele dia perturbador que deu início a quarentena, o tempo passou a ser tão improvável com relação à vida.
     Fomos proibidos de apertar as mãos. Abraços apertados, que podem demonstrar amizade profunda ou amor incontido, já não cabem nestas horas vazias. Passamos a ter uma existência mais anônima onde as realidades são outras. Até o preservativo mudou seu rumo, subiu um tom, virou máscara que nos priva da satisfação plena de um sorriso.
     Esperamos por um dia normal. Mas, qual o sentido de “normal”?  Seria misturar-se à multidão e tocar a vida? Mas a morte também espreita a multidão que é levada pelo invisível vírus.
     Muitos ainda não se deram conta do que os cerca. Arrastam as fantasias, que são sonhos, sem se atordoarem pela realidade. São as lives que os levam a outras dimensões – passam a ser roqueiros, impondo guitarras imaginárias ou são sertanejos com seus berrantes também imaginários.
     Por certo, ser livre é poder ir onde quiser, quando quiser, sempre sem pressa de chegar, pois uma vida é para ser vivida e outra é para ser pensada. Para quê projetar o futuro sem aprender a viver o presente?
     Quanto à realidade, temos que admitir: Se não sobrevivermos no agora, não haverá o amanhã.
Laerte Creder Lopes
Enviado por Laerte Creder Lopes em 31/05/2020
Código do texto: T6963627
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Laerte Creder Lopes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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