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Bendita Poesia




                   Assim como o Estação da Lira e o Poesia Esporte Clube, o “Bendita Poesia” é mais um importante projeto voltados para a difusão da poesia em Natal. Concebido pelo poeta performático e produtor cultural Carlos Gurgel e financiado pelo governo do estado, o Bendita Poesia acontece no palco do Teatro de Cultura Popular da FJA, com periodicidade mensal, mas sem data pré-definida. A proposta de Gurgel é reunir poetas convidados de estados do Nordeste e um poeta do Rio Grande do Norte para recitar os seus poemas, vender livros e trocar idéias.
                 Depois de tomar conhecimento pela imprensa escrita, fui a sua terceira edição, no dia 05 de outubro de 2006, uma quinta-feira. O poeta Rui Rocha foi o primeiro a apresentar-se, na condição de convidado local, representando o seu projeto “Poesia Esporte Clube”. Rui recitou poesias de sua própria autoria, de Paulo Leminsk, de Xavier, de Daniel Minchoni, de Drummond e uma poesia de minha autoria (Hai Kai). Em sua apresentação surpreendeu-nos com o convite para interagirmos com ele, o que fizemos sem cerimônias eu e a poetisa Jânia de Souza.
              O público não passou de 18 pessoas, mas todos os presentes estiveram muito atentos a cada movimento, a cada poema apresentado. Aplaudimos e fomos também muito aplaudidos por nossas intervenções. À nossa apresentação seguiu-se a dos poetas Malungo e Ivan Marinho, poetas convidados do estado do Pernambuco. A poesia dos dois integra o movimento “Mangue Beach” e segundo eles mesmos, pode ser classificada como uma poesia “marginal”. Malungo e Ivan fazem uma poesia revoltada, irônica, denunciadora das desigualdades sociais, por vezes resvalando para o escracho e também um tanto quanto iconoclasta.  Ivan, que também é artista plástico, enquanto recitava, tinha projetadas como pano de fundo as suas telas de colorido tropical. Também tiveram o acompanhamento musical de Monroe, que deu o tom psicodélico da  poesia do Malungo.
               A terceira atração da noite veio do Ceará, o escritor Emílio Carlos, um romancista que fazia a sua incursão primeira no mundo da poesia. Num mix que englobou música, texto, perfomance corporal e imagem, o poeta causou impacto na platéia, dado o estranhamento de sua singular mistura. Poesia hermética e na definição de uma assistente: poesia para ET.
             No final, perto da meia-noite, participamos de uma conversa de grupo e nela expus a minha surpresa por ver tão pouca gente num evento daquela envergadura, tanto porque bem produzido, num ambiente excelente, que propõe o intercâmbio cultural entre poetas, como por se dar numa cidade eminentemente poética. Gurgel disse que a questão do público não era muito importante, mas Ivan e Malungo, tanto quanto eu e Emílio, discordamos. Emílio sugeriu uma divulgação mais forte e inclusive o registro histórico do evento através de filmagem. Eu sugeri ainda que o evento fosse gratuito. Numa pressa que eu nunca compreendo, não se discutiu nada sobre o fazer poético de cada um, o que lamentei.
         Fora de cena, tendo como cúmplice a pintura de Newton Navarro, aproveitei para mais alguns escambos literários, com as respectivas dedicatórias. Troquei livros com os três e ainda fiquei de fazer uma apresentação de minha proposta ao Carlos para fazer parte do evento como convidado de uma das edições. Ele passou-me o e-mail e ficará aguardando contato.
 Marcos Cavalcanti
Marcos Cavalcanti
Enviado por Marcos Cavalcanti em 16/10/2007
Código do texto: T697060

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Sobre o autor
Marcos Cavalcanti
Santa Cruz - Rio Grande do Norte - Brasil, 44 anos
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Marcos Cavalcanti