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Longe dos noctívagos

A pior hora do dia é a noite. Tudo deveria parecer mais calmo, porém é mais sombrio e melancólico. Hora destinada ao sono; temporário. Aquele que tenta, inu-tilmente - talvez...-  nos preparar para um eterno.
Noite. Tempo em que, deitada, vejo os pensamentos acordarem. Penumbra. Distúrbios de recordações e de lembranças embaralhadas. Idéias vão surgindo e vão, aos poucos, tecendo uma grossa corrente. Inquebrável. Intransponível. ... E sufocante!
Silêncio total.
Não é mais possível se separar da corrente formada. É uma cadeia totalmen-te construída. Impossibilidade de conseguir romper um lado sequer, apenas um dos elos que seja! Um nó também fora dado na extremidade do ferro. A libertação fica cada vez mais longe... Não mais alcançável.
Prisão total.
A angústia aproxima-se, deseja aproveitar o abandono da liberdade. Faz-se forte e presente. Qualquer pensamento que surja, qualquer odor, qualquer ruído - dentro da noite silenciosa... -  é suficiente para levar à náusea explícita. E o chão inunda-se com uma água suja e podre... Podre de memórias e de dores.
Uma pressão na garganta. Sufocante e que queima. A dor acompanha a an-gústia e a lágrima cai. Está lançada à noite...
O travesseiro, então úmido, tenta inutilmente confortar a cabeça. Ou a men-te... Pois tem certeza de que ela ainda não se entregou a ele. Esforça-se por se fa-zer mais macio, mais doce, mais...
Todavia, tudo atingiu uma dimensão imensa, tão gigantesca, que já não é ca-paz de se conter ao estreito tamanho do cérebro. Explodiu, ocupou o quarto inteiro, está espalhado pelos móveis e pelos objetos de uso pessoal, pelos lençóis e até mesmo pelo colchão. Tão presente em tudo que, ao mesmo tempo, vai se tornando ausente...
O sono põe-se junto à cama. Quer lembrar que não há saída; exceto ele. Es-tando nesse estágio, não se é capaz de desmenti-lo, mesmo crendo que está erra-do. Impraticável dizer não...
A manhã acorda. A tarde quer nos avisar do que desejamos não lembrar. Uma outra noite está prestes a nos invadir. Escuridão a nos tomar...
Vanise Macedo
Enviado por Vanise Macedo em 19/10/2007
Código do texto: T700888

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Sobre a autora
Vanise Macedo
Teresópolis - Rio de Janeiro - Brasil, 48 anos
12 textos (444 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/12/17 04:48)
Vanise Macedo