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O R D E M

 




A ordem é para ser cumprida. Vale o mesmo para a lei. Quando uma sentença se torna um absurdo, deixa de ser ordem, ou lei. Precisa ser refeita. Há algum tempo, tenho insistido num caminho formado pela disciplina, educação e cultura. O fim desse processo é o saber. Dia desses, perguntaram-me sobre a diferença entre disciplina e educação. Apresentei uma imaginária situação: à uma companhia de soldados, o comandante assim fala: cavalheiros, queiram, por gentileza, virarem-se para o poente. O comandante é extremamente educado, mas o comando, ou a ordem, ineficaz. Entretanto, se ele bradar: companhia, esquerda volver, os soldados imediatamente obedecerão a ordem, pois esta é a disciplina militar. A educação pessoal de quem comanda necessariamente não é o mais eficiente caminho. Ao serem disciplinados, os soldados passam a desempenhar a educação específica. O somatório das vias disciplinares, acrescidos da educação adquirida, levará o grupo ao aspecto cultural. Em resumo, a cultura de ser educado por disciplina. O desaguadouro é o saber. O exemplo acima, com os soldados, é válido para as mais variadas atividades individuais ou coletivas.
O imbróglio acima, pretensamente filosófico, fundamenta as ações, ou inações, de muitos brasileiros e seus representantes, em alguns assuntos de extrema importância. Pinço e externo um, que diz respeito aos pneus. Leio numa reportagem que na Europa o custo médio de um pneu gira em torno de 60 dólares. E que o preço para alguém se desfazer do mesmo é de 40 dólares. No entanto, o Brasil importa, da Europa, pneus usados a um dólar. Estaríamos comprando barato lixo europeu? Confesso que não me aprofundei em detalhes dessas transações, até porque não são muito divulgadas. Mas, deve haver uma explicação. As pessoas e ONGs ambientalistas certamente têm conhecimento desse fato. E a grande massa popular, também o tem?  Por não sermos, povo e mandatários, suficientemente disciplinados quantos aos fatores ecológicos, ainda não temos a devida educação nesta área. Por isso, não alcançamos a cultura preservacionista. Em conseqüência, o saber lidar com o meio ambiente está muito distante. É o ciclo que entabulo. Carecemos de uma ordem (lei) firme que nos disciplinasse, proporcionando-nos (impondo-nos) uma educação, para que alcançássemos uma cultura ambiental. Em lá chegando, teríamos o saber, resultando uma convivência com o meio ambiente limpo, usufruindo as benesses da natureza. O absurdo ambiental vivido atualmente nos faz distantes de qualquer disciplina, educação e cultura. Saibamos disto, e já estaremos refazendo o cumprimento da ordem contida no dom da inteligência.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 21/10/2007
Código do texto: T704172
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
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Cláudio Pinto de Sá