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O maníaco solitário

                            O maníaco solitário


Ao despertar, meu primeiro pensamento é para com meus companheiros, que me esperam para o café da manhã.
Levanto com o pé direito, literalmente; nunca o pé esquerdo é o primeiro a tocar o chão.
Quero confessar desde já que sou um maníaco convicto, graças a Deus, pois sem as minhas queridas manias, creio que a minha vida seria pior.
Encaminho-me em direção ao aparelho de som para desligá-lo, pois sempre durmo com música, dentre as quais, os clássicos como Bach, Beethoven, e outros, são de minha predileção.
Vou para o banheiro e depois de fazer minha higiene matinal com toda a ritualística que lhe é própria, vou para cozinha. Lá, a mesa do café está em harmonia e estética perfeita, pois a arrumo na noite anterior.
Então contemplo minha bela criação: a mesa é redonda; a hierarquia e desequilíbrio que o retângulo manifesta sempre me assustaram; as cadeiras, que são em número de quatro, estão em distâncias equivalentes seguindo os pontos cardeais.
Mas vocês podem afirmar, e com razão: uma pessoa sentada à mesa com mais três cadeiras vazias, isso não me parece um ambiente harmônico.
Ah..., bem lembrado, caros interlocutores, vocês estariam certos se eu não tivesse comprado três manequins, ops..., ou melhor, conquistado três fiéis amigos que me fazem companhia.
Estão lá, todos os dias e noites, sentadinhos, acompanham-me em todas as refeições.
É claro que eles estão vestidos, e muito bem; eu mesmo escolhi e comprei as roupas, coisa fina, tudo de marca.
Imaginem só, eu tomando café com os meus amigos nus ao meu lado, eu iria me sentir envergonhado.
São amigos fiéis e íntegros, ouvem os meus desabafos, são silenciosos e econômicos, até nas palavras.
Estamos todos vestidos de branco; neste ano novo que passou fizemos uma festa daquelas!
Nesse momento, deitado na minha cama, estou triste e me sentindo só, pareço estar morto, enquanto meus amigos inanimados vivem.
Ah..., e por falar nisso, acho que vou para cozinha rever meus amigos. A propósito, minha maior mania é mentir...
       
Evandro Gastaldo
Enviado por Evandro Gastaldo em 21/10/2007
Código do texto: T704192

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Sobre o autor
Evandro Gastaldo
Cerquilho - São Paulo - Brasil, 47 anos
47 textos (6630 leituras)
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