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Paranóias Noturnas

Gasto palavras porque não posso desenhar ou cantar.

Quanta tinta será necessária até a grande sensação do Nada não se fizer mais sentir?

Meu significado de vida tem sido fumar, estudar o necessário e sentar na frente do computador atrás de algo maior.

Dentro da minha cabeça, estão as coisas menores: acima do peso, preocupado com meus relacionamentos, ódio a um ex-amigo, peito reclamando dos cigarros, medo de perder cada uma destas coisas menores.

Minha mãe e meu pai...como chegaram àquela idade sem tantas seqüelas da vida? Chegarei à idade deles como um ser humano bem pior.

Aliás, se tem algo que aprendi é que não se pode viver sem estragar a vida de alguém e por conseguinte uma fatia da humanidade. Você pode ser melhor ou pior pra humanidade, creio que eu só seja pior. Ou pior, eu seja indiferente.

Tenho sobrevivido da mesma música.

[Incomprehensible] job
He’ll never leave it now
He’s turned it all around
But honey, this job is killing me

E realmente tudo se virou ao redor.

Num sonho [Incompreensível]
Ela nunca vai te deixar, eterno.
Ela pode ver linhas que você não vê
E transar com o mundo todo, te matando.

Tive sorte de acordar com alguma faculdade mental. Fui ver minha namorada. Ela é sempre tão bonita. Não sei falo isso porque ela é gostosa ou porque gosto dela. Misturo os dois: a gente transa e eu declamo poesia em seu ouvido -  ou a gente transa uma poesia, enquanto declamo o sexo... dá no mesmo.

O resto do dia é só uma prova da solidez de nosso amor. Alegro-me.

Dias depois, enfrento o cinismo em autoformas magras. Minha namorada não vê as formas. Lembro que ela pode ver coisas que eu não vejo. Isso funde minha cabeça.

O cinismo é um falso amigo, que quer me usar como ponte para alcançar o Céu. Eu possuo mais armas que ele, sinto muito, a ponte quebrou. Mesmo sua morte é pouco, ele é um fantasma irritante, de palavras tolas e inteligência fajuta.

Fumo mais um cigarro, não posso ter medo de vultos noturnos.

Enfrento a noite, solitário. Acho que estou me tornando um insone.

Conheço pessoas e quero transar com todas elas – só que tenho medo. A liberdade de ejacular não me faz pensar em poesia. Tenho medo de perder minha essência. Viciei-me em minhas associações, em minhas limitações. Acho que elas ainda têm algo a oferecer.

A paranóia e a burrice é uma destas coisas que ganho pelas minhas associações.

Às vezes, é como ser um rico que se acostuma com o barulho dos cães à noite, pra se sentir seguro em casa.

Minhas palavras, finalmente, se desgastaram. Haverá sempre uma nova torrente de esquizofrênica divagação.
Marcelo Oliveira
Enviado por Marcelo Oliveira em 23/10/2007
Código do texto: T705838


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Sobre o autor
Marcelo Oliveira
Feira de Santana - Bahia - Brasil, 32 anos
43 textos (4303 leituras)
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Marcelo Oliveira