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O REDENTOR E A LIBERDADE

O REDENTOR E A LIBERDADE
Marília L. Paixão

Já tive minha ocasião de amanhecer feliz olhando o Cristo Redentor. Estava em viagem de férias. Vê-lo era uma realização dos planos da viagem assim como a de um pequenino sonho. Senti o mesmo ao visitar a Estátua da Liberdade sem negar é claro que aquele prazer parecia um pouco maior. Mas o que parecia maior era a liberdade de estar ali. Depois que se chega ao solo dela, tudo parece pequeno, até mesmo a própria estátua. Grande é o sonho, o símbolo e todas as emoções oferecidas por ela. Claro que também tive minhas emoções no Rio. Impossível não se maravilhar com aquela visão rodeada de outros pontos turísticos lindos, isso se não bastasse às praias. Sequer o relógio arrancado do meu pulso num sinal de trânsito me tirou o humor e o prazer da viagem. Afinal, poderia ter sido pior não é mesmo? Não me roubaram a vida por causa daquele relógio. Nós brasileiros já temos prontas as nossas frases de consolo para todos os momentos de desgraça e em seguida, a vida continua, quando ela continua... Somos um povo simples. Temos o nosso Cristo e a nossa fé. Deve ter sido ele que me protegeu naquela tarde. O tal moleque poderia mesmo ter me cortado fora os dedos, a mão, todo o braço com aquele pedaço de vidro.
Mas para falar a verdade a Dona Estátua da Liberdade se nunca me protegeu, também nunca tirou nada de mim. Nunca sequer feriu alguma das minhas cutículas. Pelo contrário, pensar nela ainda me faz reproduzir sonhos. Sonhar é mais fácil e mais gostoso que ter só a fé e a esperança do Cristo. O símbolo da estátua me faz pensar que onde há luta, há frutos e prosperidade. O Cristo Redentor parece complacente, piedoso, pronto para lhe acariciar após o tombo fazendo-nos conformar com a queda e a tudo perdoar. Agora, a Estátua da Liberdade parece ter mais força. Parece que se o nosso olhar até ela se estender, já basta para o ser se erguer. Como se ela dissesse: voa, filho voa.
Alguém vai até pensar que eu votei na Estátua da Liberdade para ser uma das sete maravilhas. Não, eu não votei. Claro que não foi por nenhum sentimento parecido com anti-americanismo.  Também não votei no Cristo, não votei em nada. Acho que me distraí preocupada com outras coisas ou algo em mim me impediu de votar. Mas estava aqui pensando... Já que o nosso singelo Cristo ganhou, não era para A dona da Liberdade também ter ganhado? Pelo menos, justo seria! E ai vem aquele monstro na cabeça da gente para dar a resposta. Será que o antiamericanismo anda tirando a liberdade do povo voar? Antiamericanismo é coisa de quem não ama nem o próprio ar. Deve ser por isso que ao povo ignóbil e aflito resta apenas olhar para o Cristo e pedir que ele perdoe os pecados menores e maiores inclusive o de se sentirem tão pobremente sozinhos nos momentos das maiores desgraças. È compreensível entender o fato de nós brasileiros termos torcido pelo Cristo. Mas e o resto do mundo?
Esqueceram-se da Estátua da Liberdade que também é igualmente bela? O anti-americanismo é um bicho horrível. Faz tanto mal quanto qualquer guerra. Não adianta ficar colocando a culpa em uma cabeça só que breve rolará. Mas e este sentimento negativo e inspirador de tantas coisas ruins, quando é que vai acabar?Uma coisa eu sei ao certo: Nosso Cristo Redentor não nos ensina a odiar.






Marília L Paixão
Enviado por Marília L Paixão em 26/10/2007
Código do texto: T710520

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Sobre a autora
Marília L Paixão
Pouso Alegre - Minas Gerais - Brasil
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