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Ou antes, o que é ser uma bruxa?

Os olhos são as janelas da alma. Pensando dessa forma, poderiam nos lábios estar escondidas as portas para os nossos pensamentos? Quantas coisas guardamos a sete chaves, em porões com pó por todos os lados. Mistérios tolos das nossas vidas engolidas pelo tempo.

Desejo uma vassoura que varra os pensamentos que já não servem mais. Botar pra debaixo do tapete as lembranças que já não fazem mais sentido para o momento em que vivemos.

O veneno dos lábios às vezes emitem contratos perigosos. São promessas. São segredos guardados. São pensamentos que se tornam verdadeiros quando permitimos que nossos lábios os digam. Cada vez que ouço um sino tocar, penso em promessas desfeitas. Em desejos.

O que você deseja hoje? O que, com mais vontade você quer ser? O que daria em troca para ser o que você deseja? Teremos nós tal direito? E é tão emocionante, às vezes, não termos o controle supremo das coisas...É preciso cuidado com o que desejamos. O que você vai fazer se alcançar o que desejou?

De uma abóbora com uma velinha dentro, vem o desejo de ter uma vassoura mágica. Vem o brilho da lua. As sombras da noite. O calor do fogo. Tem dias em que as noites se tornam curtas demais. Que frio na espinha quando penso assim. É preciso confessar. Eu gosto do dia das bruxas. E a cada dia que passa, gosto mais. Não sei se é a distância cada vez maior da infância, se é a vontade de viver que me entusiasma todos os dias e parece que respiro mágica então.

Olho as coisas como se brilhassem, tenho fome. Fome por dias de sol, por noites enluaradas. Uma pergunta: Somos boas bruxas? Ou antes, o que é ser uma bruxa? Uma bruxa, quem sabe, seja a atitude sempre presente de não esperar sentada à soleira da porta pelas coisas que um dia chegarão. É sair atrás do que se deseja. É sorrir em dias de sol. É refletir e continuar a sorrir em dias cinzas e chuvosos. É andar pelos caminhos completamente só, acompanhando os passarinhos e o barulho das coisas da cidade. Completamente só?

Elas sempre existiram. Não porque isso é algo inevitável, mas porque somos inevitáveis na vida da gente mesmo.  Somos nós mesmos que criamos os nossos fantasmas. É da nossa imaginação que saem as bruxinhas simpáticas, as coloridas, as que se vestem de preto e as que assustam. Não há dias em que nos assutamos com o espelho? Quantas risadas eu dou na frente do espelho quando observo o que tem dentro dos meus olhos. Somos o que pensamos.

O que parece ser é o menos importante. O que é, realmente, é o que importa. Sempre estamos a frente do nosso tempo. Isso quando somos senhores da nossa vontade. Se não somos nós a quebrar nossos limites, quem vai quebrar por nós? Que hoje à noite a fogueira esteja acesa e os nossos corações se animem a serem melhores do que foram durante o dia. Ou vamos ainda muito tempo ficar sentados na soleira da porta esperando algo mágico nos acontecer?
Isadora Pitanga
Enviado por Isadora Pitanga em 28/10/2007
Código do texto: T713615

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Sobre a autora
Isadora Pitanga
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 36 anos
74 textos (8652 leituras)
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Isadora Pitanga