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Ah, o Verão!

Era o verão de 1968. Percival, ou, para os íntimos, Perci, era um jovem cheio de sonhos, como outro qualquer. Filho de Coronel, o garoto de 19 anos vivia sua juventude intensamente, sem medo de ser feliz. Ou de ser preso, o que era muito comum aos jovens da época.

O Coronel Caruso tinha decidido levar a família para passar as férias no Guaruja, a então Pérola do Atlântico. Naquela época, só os ricos podiam ter este prazer, e era só o verão começar, que as menininhas caiçaras já ficavam todas animadas, com a oportunidade de namorar algum garoto da capital.

Perci era um rapaz bem apessoado e, diferente dos outros jovens, tinha carro próprio. E que carrão, com motor envenenado, rádio e tudo mais o que tinha direito. Como as menininhas costumavam dizer, o cara era um pão.

Uma noite, Perci resolveu sair de carro para paquerar. Ele abaixou os vidros do carro, ligou o som no volume máximo e ficou passando pela avenida da praia. Tudo seguia a mesma rotina das outras noites de paquera, quando o jovem avistou uma bela menina. De vestido curto – algo pouco comum para a época, mesmo estando na praia –  a garota exibia suas belas pernas e um par de coxas torneadas.

Perci ficou enlouquecido. Estacionou o carro e ficou só observando aquela beleza que ele nunca tinha visto igual. Ao perceber que a menina retribuia seus olhares, decidiu puxar assunto. Então, chamou a garota para tomar uma cerveja e, papo vai, papo vem, os dois já estavam se beijando. Ali, na mesa mesmo. Os outros clientes do bar, ficaram boquiabertos com aquela cena, aquela falta de pudores.

No dia seguinte, o jovem não conseguia pensar em outra coisa, a não ser naquele beijo, naquelas coxas, naquele olhar encantador. Certamente, estava apaixonado. E a noite, foi a mesma coisa. Mas dessa vez, o jovem casal saiu para tomar um sorvete.

E assim seguiram todas as outras noites das férias, até aquele primeiro domingo de Fevereiro. Naquele dia, Perci teria que voltar para São Paulo, junto com a sua família. O casal foi passear na praia, observaram o por-do-sol, tomaram mais um sorvete, se abraçaram e se beijaram muito.

Na hora de dar tchau, a menina falou que desejaria voltar para São Paulo junto com seu amado. E foi aí que o encanto daquele romance todo chegou ao fim. Percival lembrou de sua namoradinha da capital, e encheu a caiçara de porrada, até desfigurar completamente o rosto da menina. A noite, ele voltou para São Paulo com peso na consciência, mas sem saber que tinha acabado de criar a expressão “amor de verão não sobe a serra”.
Ricardo Polinesio
Enviado por Ricardo Polinesio em 31/10/2007
Código do texto: T717442

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Sobre o autor
Ricardo Polinesio
São Paulo - São Paulo - Brasil, 37 anos
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Ricardo Polinesio