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Um Taxista que falava português

Já se fazia alguns minutos, após nossa chegada a Londres, meu primo anfitrião, querendo agradar, diz: vou levá-los para conhecer a cidade, vamos dançar até amanhecer!

Neste momento,  sem me consultar,  surge a pergunta:

        - Vocês querem ir a danceteria da sexta ou na de sábado?
- Qual a diferença? -  pergunto ao lado de minha esposa.
- A de sexta...  Acho que ficaram muito chocados!
- E a de Sábado?
        - Um pouco menos...

Depois sozinho,  com meu primo, o repreendo dizendo: deveria ter  nos levado logo na casa noturna da sexta, sem explicar os detalhes para minha esposa,  ela é careta ao extremo,  obviamente que, a escolha foi,  a boate tradicional.
.
Depois entenderia...  Sua atitude foi sim, a mais correta.

No sábado, já prontos, seguimos para nosso divertimento, em um ônibus daqueles de dois andares, em uma corrida que parecia não ter fim.

           Chegamos, entramos na fila, e  minha esposa já estava espantada. À nossa frente, figuras que lembravam o Sid Vicius, do Sex Pistols ( banda punk, que curti em minha adolescência).
   
Depois de nos revistarmos, já dentro do recinto,  uma excelente notícia para minha amada, era proibida a venda bebida alcoólica.

Ao nosso lado, em algumas plataformas, dançavam belas meninas, vestindo camisetas com nome da casa.
 
De repente,  após as primeiras horas, todos pareciam enlouquecidos. O que me vez duvidar de tanto vigor... Seria o Energético (Red Bull) que todos tomavam?
 
Ao ir ao banheiro descubro o motivo de tanto ardor. Comprimidos de êxtase, à vontade para a toda a clientela.

No início da madrugada, outra cena me chama atenção. As meninas que dançavam ao nosso lado subiam nos tablados, e retiravam as dançarinas da casa.  Neste momento, ainda conseguia burlar minha parceira, a levando para outros ambientes.

Meu primo, solteiro, nunca curtira tamanho agito. Explica-me: essa droga mexe com a libido das garotas. Fácil de acreditar, já que as londrinas começavam a retirar as camisetas...

Foi neste momento que minha esposa indignada, decide: vamos embora! (No melhor da festa...) Tento argumentar,  dizendo:  meu primo, não iria embora, e com meu inglês de primário, nunca saberia explicar o endereço a um taxista.

Com tamanha revolta, ela mesma decide contornar a situação, pergunta a um funcionário do estabelecimento:
- “Taxi driver who speaks Portuguese?”

E não é que o gerente, após uma pequena consulta, volta com a resposta de “Yes, James.”; que azar... penso em silêncio.

Após, despedirmos de meu primo,  pegarmos a chave de sua residência, entramos no táxi.
 
Algumas quadras depois, testamos o português, de nosso condutor...

E seu vasto vocabulário se restringia a:

-  Pururuca, feijão tropeiro, angu e Barbacena...


                                                     dcapitaneo@gmail.com
Douglas Capitaneo
Enviado por Douglas Capitaneo em 31/10/2007
Reeditado em 18/02/2008
Código do texto: T718204

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Sobre o autor
Douglas Capitaneo
Varginha - Minas Gerais - Brasil, 44 anos
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Douglas Capitaneo