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Mulher inteligente

Ser inteligente é defeito?!


Outro dia, conversando com uma senhora, ela me disse, em tom acusatório, que sou uma mulher muito inteligente. Já ouvira isso antes. Uma pessoa com quem me relacionava, certa ocasião, em tom de defesa, dissera que sou uma mulher muito inteligente.

De repente, paro para pensar – ser inteligente se tornou um estigma? Algo de caráter duvidoso? Um crime?

Considero-me uma mulher inteligente, sim. E qual o crime em ser inteligente? Existe mau caratismo na inteligência? Não considerei como ofensivo o “ser inteligente”, mas indubitavelmente, tais pessoas creditam a mim atos malfeitos por eu ser uma mulher inteligente. Cheira a algo como que somente a burrice merece créditos de bondade e honradez. A inteligência, de uma forma mesquinha, passou a ser tratada por estas pessoas como um defeito.

Bem, prefiro ter a inteligência tratada com desprezo pelos que não são dotados dela que ser ignorante ao ponto de acreditar que o mundo é quadrado. O mundo é circular. A vida é circular, e tudo que se faz tem o seu reflexo.

É ignorância pensar que as conquistas são fáceis. Tapam-se os olhos, cauterizam-se feridas acreditando em mundos cor-de-rosas. Mais fácil é, olhar lá longe e apontar o dedo acusatório em direção a outrem, que olhar em si mesmo e ver que se engana com pouco. Que se satisfaz com pouco, em prol de comodidade e sonhos mentirosamente realizados.

Prefiro ir a luta, desnudar verdades contidas por caminhos mais fáceis, e viver com intensidade tudo o que a vida me reserva, que contentar-me com migalhas de compaixão ou mísero aproveitamento de condições sociais alimentadas por cegueira mental.

Prefiro ter meus próximos anos em caminhos difíceis a percorrer, e viver amor e alegria com toda a intensidade que a vida permite que me esconder em nesgas deixadas por outros, e me sentir feliz com pouco. Prefiro olhar para o sol e não ver sombras, a olhar sempre para a terra acompanhando passos alheios. Prefiro ter a multiplicidade que o mundo me permite, que cair na mesmice e me sentir feliz com bolinho de chuva em dia de sol quente.

Então, que a inteligência seja propagada e a burrice tratada como os burros merecem ser tratados – água, capim, trabalho e logicamente, com carinho, pois afinal de contas, o burro é um animal do reino de Deus e não merece ser sacrificado por sua tola crença que Papai Noel existe.
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 04/11/2007
Reeditado em 01/12/2007
Código do texto: T723457
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Fátima Batista
Santo André - São Paulo - Brasil, 58 anos
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Fátima Batista

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