Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

AQUELA DOCE SAUDADE


Com toda certeza, é melhor curtir uma
saudade doida, do que uma saudade doída...
Osculos e amplexos,
Marcial

AQUELA DOCE SAUDADE...
Marcial Salaverry
                     
Saudade é sempre saudada com saudade, e,  sobre saudade, muito há o que se falar. Pode ser uma saudade doida, ou uma saudade doída. Depende de como a enfocarmos.
Existem pessoas que se recordam com  saudade de um determinado encontro amoroso onde teve um prazer um tanto quanto mais acentuado do que  seria lícito esperar. Fica, então com recordação daqueles doces momentos flutuando em suas lembranças.  Essa é a parte doida.  A que pode  ser doída, é quando se defronta com as poucas possibilidades de um novo encontro.  E em havendo, com a expectativa de que nunca será a mesma coisa, pois nem sempre a emoção será a mesma.
Também existe a saudade de amigos, entes queridos que se foram.  Aí, se não existe nenhuma expectativa de reve-los,a única solução será saber curtir as boas recordações mesmo.
Há também aqueles que,  por circunstâncias se afastam da família.  Tem  que saber administrar a ausência, principalmente quando razões adversas impedem um reencontro.
Realmente, por vezes complica.  É quando se diz que a "saudade dói".  Não é uma dor física.   Essa dor fica na alma.  Sente-se e só se consegue minorá-la, com os meios de comunicação.  Quem vive ou já viveu fora do País, ou tem entes queridos nessas condições, sabe bem do que estou falando.
Por vezes vem um nozinho na garganta e, para desmanchá-lo, tem que se usar o "método das boas lembranças".  Mesmo que essas estejam meio distantes no tempo.
A saudade pode ser colocada como sentimento que  temos, quando uma experiência ou vivência é interrompida antes de se completar, pois o resto seriam apenas lembranças.  Por isso a saudade dá aquela espécie de tristeza,  aquela vontade de completar a vivência interrompida. Aí a solução será procurar as boas lembranças que ficaram, para se consolar, e sair da tristeza, ou procurar meios de completar a experiência vivida.
O que provoca a saudade, pode ser assim explicado, ou seja,  é aquele algo mais que faltou naquela convivência com determinadas pessoas.
O que se pode dizer também, é que por vezes pinta uma pessoa muito especial e, por circunstâncias, não se pode ficar junto.  Nesses casos, a saudade chega a ser muita, e nesse caso, o que fazer? O melhor é procurar acomodar no mesmo pacote a saudade trazida pela ausência, com as recordações que motivam essa saudade e aí, quando começar a doer, abre-se o leque das lembranças, e o negócio é curti-las.  Não é o medicamento definitivo, mas serve como paliativo.
Tal terapia, pode ser aplicada também a animais de estimação, e até mesmo a certos objetos perdidos ou roubados.  Claro que nesse caso não com tanta intensidade.  Mas sempre será uma "vivência interrompida", que será mais ou menos dolorosa conforme o tipo de interrupção havida.
Pode-se também pensar em termos de viagens, lembrando aquele turista, por exemplo, que se preocupa tanto em fotografar a  viagem, que  deixa de vivê-la como poderia, e depois sente saudade do que poderia ter vivido ou feito, e não teve tempo, pois estava fotografando, esquecendo-se de que se as fotos guardam as imagens, o que é visto e fotografado com os olhos do espírito, permanecem para sempre no melhor álbum de recordações que é a memória...
Tive uma prova disso ao relembrar a viagem ao Congo, enquanto escrevia o livro.  Não tirei muitas fotos.  As melhores perderam-se pela ação do tempo. Não as consegui recuperar.  Mas os fatos vividos ficaram gravados de forma indelével, e à medida que ia escrevendo, posso dizer que estava vendo um filme em três dimensões.  Cheguei a sentir o cheiro daquela manada de elefantes, ou sentir o bafo da mamãe hipopótamo atrás de mim, resfolegando mais do que uma locomotiva, bem como o tremor  incontrolável que senti quando a leoa faminta deu aquela patada no pára-brisas do jipe.
Não tirei fotos e não precisei delas...
Saudade... recordações... por que será que nunca conseguimos resistir ao nozinho na garganta?
Bem crianças, para não se perderem mais no mar das recordações, vamos em frente, e que este seja UM LINDO DIA...
Marcial Salaverry
Enviado por Marcial Salaverry em 05/11/2007
Código do texto: T723777
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Marcial Salaverry
Santos - São Paulo - Brasil, 79 anos
21163 textos (2101723 leituras)
3 áudios (894 audições)
6 e-livros (2160 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/12/17 23:11)
Marcial Salaverry