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CONSÓRCIOS, FINANCEIRAS E OUTRAS BADERNAS DO BRASIL

Hoje, você entra numa agência bancária para pagar uma conta e logo na entrada já tem uma garota vestida com um jaleco amarrotado dizendo: - Posso ajudar? Se você cair na graça daquele sorriso e der muita atenção, com certeza ela o fará assinar no mínimo um contrato de conta corrente, empréstimo consignado ou até mesmo, faze-lo aderir a uma quota de consórcio. Muito cuidado com esta gente. Eles não possuem escrúpulo algum e a sedução faz parte do jogo criminoso que engana milhares de pessoas todos os dias no Brasil.
Se você deixar se seduzir e se arrepender ou tiver algum problema futuro, tenha certeza que não haverá mais o sorriso, muito menos a disponibilidade daquele “posso ajudá-lo?” de modo tão fácil e simples. É aí que entra em cena o Banco Central do Brasil, Procon ou a justiça.
Os números assustam até mesmo aqueles que não estão vivendo no mercado financeiro; no mundo dos negócios. Os dados são divulgados pelo Banco Central do Brasil, que apresenta relatórios mensais das instituições mais reclamadas perante o banco.
Antes mesmo de partir para o comentário, vamos aos números, dos mais reclamados:

01 – CONSÓRCIOS
Daimler Chrysler; Casagrande; Kasinski; Bancorbras; Conchop; Spengler; Tarraf; Fiat; Remaza Novaterra e Caixa Consórcios.

Estas são as dez empresas mais problemáticas perante o Banco Central no mês de setembro de 2007. Juntas, formam o ranking das “10 MAIS” e no quesito “consórcio”, elas devem ter dado bastante dor de cabeça pra muita gente sonhadora. É bom lembrar que menos de 5% dos consorciados ativos e inativos sabem que é o Banco Central que faz o controle primário das empresas de consórcio. Para o Bacen, elas são como os bancos ou as seguradoras, pois necessitam comprovar “em tese” que possuem ativos suficientes para honrar 100% de seus negócios prometidos.
O sistema de consórcio de bens no Brasil é antigo e deveria ser um meio comum e simples de se adquirir alguma coisa em longo prazo sem a incidência de juros abusivos do mercado que entrega de forma imediata, mas a verdade é outra totalmente diferente. Primeiro que não temos a cultura da compra programada e com certeza, jamais a teremos, principalmente por que a nossa economia não ajuda e depois por que não há a menor garantia de que se trabalhando sério neste país, consigamos permanecer num emprego formal; depois por que as empresas, em sua maioria, que operam nesta modalidade são inescrupulosas.
É raro não conhecermos alguém que não tenha tido algum problema com os consórcios. De todos os problemas que o consumidor possui quando participam de uma quota, as famosas letrinhas miúdas que compõem os contratos e que sempre pregam sustos do meio para o fim; a falta de informação clara e objetiva e falta de pessoal sério para negociá-los, são os principais ingredientes para transformá-los em um bicho de sete cabeças, temido por muitos e odiado pelo restante.
Alguns bancos como a Caixa Econômica Federal tentam a todo custo empurrar goela abaixo de quem pretende renovar alguma dívida ou pedir algum dinheiro emprestado e também são muito raro os que chegam até o final. Se os prazos forem longos, a chance é curta de receberem seus bens; se os prazos são curtos, a chance de honrá-los torna-se cada vez mais impossível e como não há uma terceira alternativa, os títulos sucumbem nas mesas de quem ainda se arriscam em negociá-los.
Quem se torna parte de um grupo de consorciados, tem que torcer dentre outras coisas para seu grupo andar na linha e pagar em dia. Somente desta forma as suas chances aumentam de receber seus bens antes a quitação e quem me disser que o consórcio é uma forma atrativa de poupar eu sou obrigado a apontá-lo como um ser humano desprovido de inteligência afinal de contas, o dinheiro rende pouco e ainda você é obrigado a pagar altas taxas de administração. Quem ganha mesmo é quem administra este dinheiro e numa linha medíocre, quem consegue vende-los. Os bancos obrigam e ameaçam seus funcionários; se eles não venderem as quotas; e para quem realiza esta proeza com louvor, eles pagam caros prêmios como forma de incentivá-los a vender mais; da mesma forma que as lojas que ainda negociam os títulos. Informações repassadas a mim por um ex-diretor do Ponto Frio, mostram que os vendedores que não atingem uma meta na venda de consórcios, são demitidos ou transferidos para lojas mais distantes de sua moradia; no meu ponto de vista, isso é Assédio Moral e deveria ser informado ao Ministério Público do Trabalho.
Na lista dos mais problemáticos segundo o Bacen, o primeiro lugar é ocupado pela marca que é dona da Mercedes Benz e entre ela e a ultima, que é a Caixa Econômica Federal, existem oito grandes administradoras que fazem de tudo para conseguir o bobo da vez; aquele que assina a adesão e patrocina uma verdadeira cadeia afortunada de executivos acostumados a ganhar dinheiro fácil.
A lista está acima, portanto, muito cuidado na hora de aderir a uma quota de consórcio, mas caso ainda deseje fazer, pense bem nestas 10 administradoras e consulte o Bacen antes de fechar negócio. A consulta poderá ser feita através de e-mail no www.bc.gov.br.
Também é muito comum a famosa venda de quota contemplada; um negócio atraente apenas para picaretas e estelionatários e sinceramente, quem enxerga lucro num negócio destes deveria estar também atrás das grades, juntamente com quem organiza.
Eu já ouvi centenas de relatos sobre pessoas que compraram quotas informadas como contempladas e até hoje estão esperando seus bens. Normalmente este tipo de golpe é posto em jornais de grande circulação e as pessoas gananciosas, imaginando estar fazendo o melhor negócio do mundo, pagam por estes títulos imaginários sem sequer conhecer quem os vende. Tudo é feito por telefone e o esperto engana o otário pela sedução do ganho fácil; do lucro rápido.
No sistema de consórcio, existem duas fases; a primeira é quando o consorciado é um investidor. Ele adere a um grupo de investidores que paga rigorosamente em dia o valor da fração da sua quota para a administradora; caso o consorciado consiga ser sorteado ou se ele der um lance maior do que os demais, ele em tese terá seu bem mais perto de possuí-lo, mas as dores de cabeça começam nesta fase. Quando o consorciado é sorteado ou dá um lance único, ele passa a estar no grupo dos tomadores, ou seja, ele deixa de investir para “pedir” e são os outros cotistas, quem pagarão pelo bem até que ele finalize suas obrigações financeiras. Mas ainda existem outros fatores que farão com que haja um aceite ou uma recusa da administradora em lhe confiar o bem. O mais forte argumento das empresas é o crédito. No ato da adesão, você pode estar na lista negra do Serasa e SPC, mas depois que é contemplado, deve ter nome limpo, renda suficiente para comprovar o pagamento das obrigações e para alguns casos, as empresas exigem em contrato que alem de tudo isso, o bem deve ficar alienado e segurado por seguradora apontada por eles, ou seja, risco quase zero para quem vende e burocracia de 100% para quem compra.
Temos investimentos muito mais atraentes e muito mais rentáveis, menos burocráticos e menos problemáticos do que os consórcios, mas como já citei antes, ainda não temos cultura, educação suficiente para programarmos nada, portanto, ainda teremos que conviver com este fantasma mal administrado e mal resolvido, chamado “consórcio de bens”, por pelo menos mais 200 anos e mais uma vez, fiquem de olho nas 10 empresas administradoras mais problemáticas do Brasil.
O Banco Central também divulga uma lista dos bancos que mais tiveram reclamações registradas e para esta categoria, eles dividem em duas partes; os que têm menos de 1 milhão de clientes e os que possuem mais do que este número. Com certeza, os bancos que não atingiram 1 milhão de clientes são aqueles bancos de investimentos. Como os que financiam veículos e emprestam dinheiro à gente pobre e sem condição de pagar. Neste ranking, o Bacen divulga os 5 mais problemáticos de cada categoria e sem nenhuma surpresa, vejam quem está nela:

Bancos com menos de 1 milhão de clientes:
1º Lugar: Banco GE
2º Lugar: BMG
3º Lugar: Banco Mercantil de Crédito
4º Lugar: Banco Bonsucesso
5º Lugar: Banco Matone

Estes são os bancos que estão se proliferando igual a baratas e que já contam até com o apoio logístico das “ex bancas” do jogo do bicho como suas agências. Não é raro encontrarmos pelas periferias de todas as grandes e médias cidades, uma lojinha suja, cheia de panfletos colados nas paredes, com uma mesa de escritório ao fundo e um palhaço estelionatário com uma gravata barata, esperando que algum inocente assine algum contrato espúrio de empréstimo.
O Governo Federal é o maior culpado da proliferação desta baderna. Depois que deixaram à deriva a sorte dos aposentados e pensionistas para pedirem empréstimos fáceis em qualquer balcão com o nome de banco, os problemas cresceram da mesma forma do que os roubos e outras fraudes. Qualquer salafrário pode abrir uma filial deste tipo de comércio, se tornando um correspondente bancário e o resultado é este que está todos os dias na mídia; anciãos que não ganham nem para pagar os remédios, sendo extorquidos por pilantras que carregam uma credencial bancária na fachada de uma lojinha de periferia.
Na outra parte da lista, a dos bancos com mais de 1 milhão de clientes, veja quem encabeça o rol dos problemas:
1º Lugar: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
O mega banco do “povo brasileiro”, que possui um dos maiores índices de rejeições perante a sociedade, ainda sobrevive porque administra quase todo o dinheiro público do Brasil; concede registros a lotéricas e faz o pagamento de quase 100% dos funcionários públicos federais, além de é claro, movimentar o generoso dinheiro do FGTS; não fosse isso, com certeza a CEF já teria ido à bancarrota há anos.
A Caixa é quem menos investe em pessoal qualificado; possui o atendimento ao público mais deficiente e impõe as piores taxas em todos os serviços, mas está com uma das chaves do cofre do Brasil, portanto, não é surpresa vê-lo encabeçando a lista dos piores. Santader, HSBC, Unibanco e Nossa Caixa, são os que seguem na lista, em ordem decrescente.
Eu detesto ser radical, mas o povo brasileiro deveria aprender a boicotar estas empresas problemáticas e usurpadoras e cito um exemplo: se você já teve algum problema com este ou aquele banco, financeira, consórcio ou até mesmo o supermercado da esquina, passe a divulgar o problema entre seus amigos, escreva para jornais, revistas, rádios, sites de internet, busque seus direitos, enfim, ponha a boca no mundo. Se ao menos uma pessoa conseguir que sua lamúria seja publicada ou ouvida por outra pessoa e se este problema ganhar notoriedade de uma corrente, estas empresas com certeza irão investir na solução destes problemas, portanto, não desistam nunca.
Eu já tive problemas com algumas destas marcas citadas no ranking do Bacen e falo com a autoridade de quem já passou por sérios problemas, principalmente com a Caixa Econômica Federal. Apenas por mera ilustração, eu tive um cartão de crédito clonado em Belém do Pará, fui informado pelo próprio setor de segurança da Caixa por telefone e tive o débito espúrio apontado em minha fatura. Na época, procurei a gerente da agência (Buritis – Belo Horizonte) onde eu mantinha conta corrente e esta me disse “não poder fazer nada”, e de fato, não fez. Mesmo sendo a própria Caixa que detectou o problema e mesmo sendo ela a responsável direta pela segurança de informações, eu não tive nenhum apoio deste banco, muito menos de nenhum funcionário. Na época, cheguei a protocolar missiva cartorial até para o Vice Presidente de Cartões da CEF em Brasília, mas, como esperado, não consegui nenhum apoio. Não me restou alternativa, senão litigar em juízo competente e ver uma sentença desfavorável ao banco e a bandeira do cartão. Um ato desnecessário, pois o banco teve como reter a ação criminosa, não fez e ainda apostou na justiça para burocratizar a vida de um cliente e o resultado foi: encerramento de três contas correntes, dois cartões de crédito, duas apólices de seguro, e R$ 4.500,00 de uma ação de indenização além de dois clientes insatisfeitos ao ponto de não aconselhar que ninguém mais seja cliente deste banco.
Não se deixe seduzir jamais pelos rostinhos bonitos ou pelas palavras tentadoras de promessas daqueles que operam em bancos, financeiras ou consórcios e caso você tenha algum problema, não hesite em procurar ajuda jurídica. Os juizados especiais cíveis atendem sem advogado quando as questões não ultrapassam a alçada monetária de R$ 20 mil. Se alguém se sentir lesado com a Caixa Econômica Federal o caminho mais curto são os Juizados Especiais Federais, que fazem o mesmo papel dos cíveis.
A velha história de que a justiça é morosa e tendenciosa é mentira. Os juizados especiais julgam a coisa de modo simples e rápido e se as denúncias forem consistentes o resultado final chega há no máximo 90 dias, portanto, vá à luta e não permita que esta quadrilha de enganadores consiga fazer mais vítimas, gozando a plenitude da impunidade.
Encerro lembrando as palavras do mestre Feu Rosa, que dizia: “O homem para garantir seus direitos e a segurança de seus pactos, pediria nota fiscal até na hora de comprar uma caixa de fósforos”. Em suas aulas, Rosa também costumava esbravejar: “Acorda gente! A Justiça não acolhe quem dorme”. Não pense duas vezes; divulgue os nomes dos problemáticos e mais uma vez, caso se sinta lesado, JUSTIÇA NELES!


Carlos Henrique Mascarenhas Pires
www.irregular.com.br
Imperador Dom Henrique I
Enviado por Imperador Dom Henrique I em 05/11/2007
Código do texto: T724924
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