Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O poeta e a amante ...

... platônica

Coisas bobas acontecem...

Confusões também acontecem. Vezes sem conta se atribui culpa a alguém por algum fato. Não se olha ou não se quer enxergar o caminho por onde as coisas trafegam.

Gosto de fazer pesquisas na internet. Principalmente no que se refere à poesia. Ontem estava navegando e entrei por acaso em um blog, que não é propriamente de poesias. É mais como um diário. Muitas fotos, música, poesias, etc.

A criadora do blog é bem eclética. Gosta de vários estilos e escritores diferentes. Mas se nota uma grande preferência por um poeta em específico. Desconhecido, é verdade, mas, a meu ver, um poeta de rara beleza em suas letras.

Ali, percebe-se claramente o gosto da criadora do blog pelas poesias deste poeta. Percebe-se mesmo um amor oculto por tudo que ele escreve. E o mais interessante é que a impressão que se dá, é que o poeta realmente escreve para ela. Fiquei encantada. Como pode duas pessoas de cidades distantes, de modos de vidas distantes, de estado civil diferente, terem tanta afinidade?

Fiquei pensando um bom tempo sobre as palavras do poeta estampadas naquela página de blog, assim, meio jogadas, porém caprichosamente incluídas – carinhosamente, talvez até mesmo amorosamente, colocadas. Lendo aquilo, percebe-se que os laços que os unem são muito fortes. Então pensei: será que fica claro para outros olhos, não tão atentos quanto os meus, que ali reside um grande perigo? Perigo sim. Perigo de um amor tão intenso por parte da compositora do blog, que como numa perfeita colcha de retalhos, recolhe as letras do poeta, e ali as coloca, para deleite seu. Há quanto tempo vem este amor e quanto tempo ainda durará? Será que alguém sabe? Será que alguém sequer percebe que ela está ali, a espera que um dia seu poeta amado volte, à clara luz do dia, mostrar ao mundo que ela é sua musa inspiradora?

Mistérios! Mistérios da poesia. Mas acho um tanto quanto doentio, ficar tanto tempo, a espreita, recolhendo retalhos e se alimentando deles, montado esta colcha poética de retalhos. Alimentando ali, naquele pequeno espaço, uma esperança de que uma história há muito passada ainda terá um final feliz.

E do outro lado – será que o poeta joga estes pequenos retalhos, tão bem traçados nas letras, mas tão pequeninos, com a intenção de mantê-la sempre presa por um fio tênue de esperança? Até onde vai a vaidade humana que faz destes joguinhos para cativar e manter ao longo dos anos uma luz de esperança no coração de uma mulher?

Saí dessa, menina! Não vê que ele jamais deixará a velha por tua causa? Que só faz isso pra manter acesa a promessa de uma noite de natal de que um dia voltaria para os teus braços terminar a história que não havia chegado ao fim?
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 07/11/2007
Reeditado em 01/12/2007
Código do texto: T727706
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2007. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

Comentários

Sobre a autora
Fátima Batista
Santo André - São Paulo - Brasil, 58 anos
1461 textos (77103 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/03/21 05:24)
Fátima Batista

Site do Escritor